Divulgação
Divulgação

Redes de fast-food se unem para reduzir gastos de restaurantes com iFood e Rappi

Outback, Giraffas, Bob’s e Rei do Mate receberam aval do Cade para criar plataforma voltada para administrar os custos do setor de alimentação com delivery

Lorenna Rodrigues, Fernanda Guimarães e André Jankavski, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2021 | 12h33
Atualizado 16 de julho de 2021 | 11h45

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, nesta quinta-feira, 15, sem restrições, uma parceria (joint venture) entre empresas do setor de alimentação como Outback, Giraffas, Bob’s e Rei do Mate para criar e operar uma plataforma de delivery. As empresas pediram autorização preventivamente ao órgão para a união, evitando assim problemas concorrenciais no futuro.

A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta. A ideia é que a nova ferramenta, chamada de Quiq, permita organizar em um só lugar todos os pedidos de delivery ou retirada no local (take away), reduzindo custos que os restaurantes têm em plataformas como o iFood, Rappi e Uber Eats

Em documento enviado em março ao Cade, o grupo de empresas argumenta ao órgão de concorrência que, ao se unir para criar um negócio para concorrer com apps já estabelecidos no mercado, a parceria traria "evidentes efeitos pró-competitivos, por representar a criação de um novo player".

As companhias explicaram, ainda, que seus negócios continuariam a funcionar "de maneira independente em suas atividades originais", não gerando efeitos concorrenciais em lojas físicas.

Em documento separado ao órgão que cuida da concorrência no País, foi mencionada a eventual entrada da Domino's (rede de pizzarias) no acordo, posteriormante à protocolação original. No entanto, a Domino's anunciou, na semana passada, a união de seus negócios aos do BK Brasil (Burger King), passando a fazer parte deste grupo, com 16% de participação.

Segundo Gustavo Schifino, que é sócio e o responsável pelo desenvolvimento das plataformas digitais da 4All, que está por trás da ferramenta, a ideia do negócio é permitir que os restaurantes consigam administrar todos os seus pedidos em um só lugar. Atualmente, os restaurantes acabam optando por um ou outro aplicativo por não conseguirem dar conta de organizar os pedidos vindos de plataformas diferentes.

“Imagine, por exemplo, uma pizzaria que vê um determinado ingrediente em falta. Hoje, não é fácil colocar em todos os aplicativos que determinado produto não está à venda. Com a Quiq, ele poderá fazer tudo no mesmo lugar e de maneira mais rápida”, diz Schifino.

Por causa desse tipo de problema, segundo o executivo, muitas acabam optando por serem exclusivas de determinadas plataformas. Desta maneira, iFood, Rappi e Uber Eats, principalmente, acabam cobrando taxas maiores.

Com a Quiq, espera Schifino, as taxas cobradas pelos aplicativos podem chegar a cair de 20% a 30%, pois a concorrência entre eles aumentará. “Os restaurantes ficam menos reféns de um aplicativo ou outro”, afirma. 

A expectativa é que a plataforma seja lançada no fim de agosto. A empresa nasce atuando nos mais de 3 mil restaurantes dos sócios, mas tem a meta de alcançar 61 mil estabelecimentos nos próximos cinco anos. A nova companhia recebeu R$ 100 milhões dos sócios para investir pelos próximos cinco anos.

Para Sérgio Molinari, consultor de food service, o movimento pode ser positivo para diminuir as taxas pesadas cobradas pelos aplicativos. 

Restaurantes independentes, segundo o consultor, precisam pagar cerca de 25% do valor do pedido para as plataformas, enquanto os maiores conseguem contratos abaixo de 20%. "Para empresas que têm um tíquete médio mais baixo, pode fazer uma diferença na margem", afirma.

O mercado é dominado pelos três grandes aplicativos: iFood, Uber Eats e Rappi. O iFood, estima-se, tem mais de 70% do mercado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.