PAC 2 terá investimento de R$ 1,088 trilhão em energia

Exploração e produção do pré-sal levarão R$ 125,7 bilhões

Célia Froufe e Leonardo Goy, da Agência Estado,

29 de março de 2010 | 10h49

A segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) prevê investimentos totais de R$ 1,088 trilhão em energia, segundo informou nesta segunda-feira, 29, o governo. Entre 2011 e 2014, os investimentos deverão somar R$ 465,5 bilhões e, após 2014, R$ 627,1 bilhões. Os números constam de cópia do programa distribuído pela presidência da República. O governo havia anunciado o valor de R$ 1,092 trilhão em investimentos para a energia, número corrigido pela secretária de Acompanhamento e Monitoramento da Casa Civil, Miriam Belchior na tarde desta 2ª.

Somente em geração de energia elétrica estão previstos investimentos totais de R$ 136,6 bilhões. A maior fatia, no entanto, está na área de petróleo e gás natural: R$ 879,2 bilhões. O PAC 2 dará ênfase especial às chamadas usinas hidrelétricas plataformas, que preveem isolamento das usinas após serem construídas, de modo a evitar crescimento populacional desordenado em seus arredores. O PAC 2 prevê a construção de dez hidrelétricas nesse sistema que, somadas, terão potência de 14.991 megawatts (MW). O programa prevê ainda 44 usinas hidrelétricas convencionais que vão gerar 32.865 MW.

O PAC 2 prevê a construção de usinas na Bacia do Tapajós, como São Luiz do Tapajós, Cachoeira do Cai, Jatobá e Chacorão. O programa prevê ainda a construção de hidrelétricas no Sudeste do País, como Pompeu e Formoso, ambas em Minas Gerais. Já a exploração da Bacia do Rio Teles Pires, no Mato Grosso, deve começar com a construção de usinas como Foz do Apiacás e Teles Pires.

O PAC 2 prevê ainda a construção de 71 centrais de energia eólica, localizadas principalmente no Nordeste e no Sul do Brasil. Somadas, elas terão capacidade para gerar 1.803 MW. Também estão incluídas três usinas termoelétricas movidas à biomassa para gerar 224 MW.

Na área de transmissão de energia elétrica, estão previstos investimentos totais de R$ 37,4 bilhões, com a construção de 22.765 quilômetros de redes para grandes interligações. Entre as prioridades, segundo o documento do PAC, está a interligação dos chamados sistemas isolados - com a construção, por exemplo, de Manaus-Boa Vista - e obras para garantir o escoamento de energia de grandes projetos, como Belo Monte e as usinas do Tapajós e Teles Pires.

No caso de Tapajós, por exemplo, o PAC 2 incluiu a construção de uma grande linha para ligar o Norte do Mato Grosso ao Sudeste, para transportar para os grandes centros de carga a energia das usinas do Tapajós.

O PAC 2 também prevê investimentos para uso mais racional de energia elétrica, entre eles a instalação de aquecimento solar para o banho, para dois milhões de residências do programa "Minha Casa, Minha Vida". O investimento total nos projetos de aquecimento solar é de R$ 1,1 bilhão.

 

Pré-sal

 

A segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2, prevê investimentos de R$ 125,7 bilhões na exploração e produção da camada pré-sal. Deste total, R$ 64,5 bilhões seriam aportados de 2011 a 2014, e R$ 61,2 bilhões, após 2014. O programa prevê o início da produção em áreas como Guará, Iara, além dos pilotos em Tupi e Baleia Azul.

 

O PAC 2 também prevê a liberação de financiamentos de R$ 36,7 bilhões para a indústria naval por meio do Fundo da Marinha Mercante. Esse montante seria liberado entre 2011 e 2014 e é mais do que o dobro dos R$ 17,4 bilhões que foram liberados de 2003 até agora.

 

Fertilizantes

 

O setor de fertilizantes também foi contemplado no PAC 2, com investimentos previstos de R$ 11,2 bilhões. Do total, R$ 9,1 bilhões seriam aplicados no período 2011-2014 e R$ 2,1 bilhões após 2014. O objetivo dos investimentos, segundo o material de divulgação do programa, é reduzir a dependência do insumo importado e, consequentemente, o custo da produção agrícola.

 

No programa, estão previstas novas plantas ou ampliações nas cidades de Três Lagoas (MS), Linhares (ES), Uberaba (MG) e Laranjeiras (SE). Hoje à noite, está prevista uma audiência do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No encontro, Stephanes apresentará a proposta, feita em conjunto com o Ministério de Minas e Energia, para a nova regulamentação do setor de fertilizantes.

 

(ATUALIZADO ÀS 15H40)

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