País está atento ao risco de formação de bolhas, diz Meirelles

Autoridade disse que o BC continua tomando medidas  no sentido de não permitir a formação de uma das mais perigosas bolhas, que é a impulsionada pelo aumento excessivo de crédito

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

28 de outubro de 2010 | 13h10

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reiterou que o Brasil tem estado atento ao risco de formação de bolhas na economia. Ele, que participou de evento fechado à imprensa sobre economia na Câmara Americana de Comércio (Amcham), afirmou que uma das conclusões mais importantes tirada da última crise é que a primeira linha de defesa contra a formação de bolhas são as normas prudenciais, quesito em que o Brasil tem um histórico que vem desde a década de 90. Neste período, o Brasil mantém o histórico de estar com regras prudenciais não só bastante sólidas, mas que foram fortalecidas no decorrer do processo.  Estabelecendo uma comparação, Meirelles lembrou que os Estados Unidos mantiveram uma taxa de juros muito baixa durante um período prolongado, mas tinham, ao mesmo tempo, regras prudenciais excessivamente liberais.

"Aqui, algumas regras têm sido tomadas recentemente, mas desde 2007 estabelecemos alocação de capital mais fortes e mais rigorosas para qualquer risco de expansão da moeda", disse o presidente do BC. Ele  disse ainda que o BC continua tomando medidas  no sentido de não permitir a formação de uma das mais perigosas bolhas, que é  a bolha impulsionada pelo aumento excessivo de crédito.  "Estamos atentos a isso", disse.

Meirelles reiterou ainda a existência de outras regras "que chamamos de regras macro prudenciais, que são aquelas que tem em vista as regras sistêmicas ou regras que não necessariamente afetam só o sistema, mas como o País como um todo". Ele citou o aumento das reservas como um exemplo de medida prudencial, que absorve o excesso de liquidez externa , mas que deixa alguma liquidez no País para enfrentar qualquer reversão da saída de moedas. Essa, de acordo com Meirelles, são as chamadas operações de esterilização da liquidez que o BC faz através das compromissadas, rigorosamente. "São todos um conjunto de medidas que o BC faz para evitar formação de bolhas.

Agora, é importante aceitar que se há política monetária expansionista como é o caso americano, gera-se uma liquidez excessiva que pode formar bolhas", ponderou.  No caso do Brasil, disse o presidente do BC,  bolhas só poderiam ser criadas por  excesso de liquidez externa. "Por isso, estamos esterilizando a liquidez  colocando regras prudenciais que impedem a formação de bolhas no Brasil", decretou o presidente do BC.

Acordo entre EUA e China

Sobre um eventual acordo entre EUA e China para atenuar a pressão mundial sobre oi dólar, Meirelles disse acreditar na possibilidade de um acordo. Mas salientou que as informações que tem sobre este assunto vem das leituras que tem feito na imprensa. "Existe todo um trabalho sendo feito nos diversos fóruns internacionais de discussão e o Brasil tem  sido muito ativo nisso", salientou Meirelles.  Ele destacou, no entanto, que haverá um momento importante na reunião do G-20 que será realizada na Coreia no mês que vem para se avançar nesta questão. "Evidentemente, enquanto não se chega lá, cada país tem que tomar providências para proteger sua própria moeda. Não só na taxa de câmbio, mas no sentido de uma moeda equilibrada, controlada e de um país que não gere desequilíbrios. Nós estamos tomando providências para proteger a economia do Brasil", assinalou.

Legado para próximo presidente

Questionado sobre qual será o seu legado para o próximo presidente do Banco Central, Meirelles listou alguns. Disse que deixará o compromisso com a meta de inflação, rigorosa regulamentação do sistema financeiro, não permitindo a formação de desequilíbrios e crises financeiras.  Meirelles falou também que deixará para seu sucessor a manutenção do câmbio flutuante com a construção de reservas internacionais para manter a estabilidade. No entanto, não quis falar sobre o que pretende fazer a partir do ano que vem, pois no próximo domingo o País elege o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Tudo o que sabemos sobre:
MeirellesAnchamBanco Central

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.