País tem déficit em conta corrente de US$ 6,3 bilhões em novembro

Este é o maior déficit desde janeiro de 2012, quando o volume foi de US$ 7,046 bilhões, segundo o Banco Central 

Eduardo Cucolo e Célia Froufe, da Agência Estado,

18 de dezembro de 2012 | 10h54

BRASÍLIA - O déficit em transações correntes em novembro ficou em US$ 6,265 bilhões informou há pouco o Banco Central. Este é o maior déficit desde janeiro de 2012, quando o volume foi de US$ 7,046 bilhões. O dado ficou dentro do intervalo das estimativas coletadas pelo AE Projeções, que variava de um déficit de US$ 5,200 bilhões a US$ 6,800 bilhões em novembro. O número superou a medida projetada, de US$ 6,000 bilhões de déficit.

O chefe do departamento econômico do Banco Central, Tulio Maciel, ressaltou que o déficit em conta corrente foi o segundo maior da série histórica do BC para meses de novembro, perdendo apenas para 2011, quando ficou em US$ 6,640 bilhões. "O resultado veio em linha com o que estávamos esperando", disse.

Segundo Maciel, contribuiu para o resultado do mês passado, o desempenho negativo da balança comercial. Ele salientou que o déficit de serviços também apresentou um crescimento "um pouco mais pronunciado".

O crescimento do ano, conforme do chefe de departamento, está em torno de 7% e, em novembro, foi de 13%. Já a conta de rendas apresentou no mês passado um "déficit mais moderado", na avaliação do técnico. Também o saldo acumulado de transações correntes no ano, de US$ 45,819 bilhões, foi o segundo maior para o mês do ano, atrás apenas de igual mês de 2011.

No acumulado do ano, o déficit do País nas transações correntes soma US$ 45,819 bilhões, o equivalente a 2,21% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado em 12 meses, o déficit em transações correntes soma US$ 51,827 bilhões (2,28% do PIB).

No mês passado, a balança comercial registrou um resultado negativo de US$ 187 milhões enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 3,237 bilhões. Já a conta de renda ficou negativa em US$ 3,007 bilhões.

Investimento estrangeiro

Os investimentos estrangeiros diretos (IED) somaram US$ 4,587 bilhões em novembro. Os investimentos estrangeiros em novembro superaram o teto das estimativas colhidas pelo AE Projeções, que variavam de US$ 2,7 bilhões a US$ 4,1 bilhões

No acumulado do ano até o mês passado, os investimentos são de US$ 59,893 bilhões, o que equivale a 2,89% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado de 12 meses até novembro, o IED está em US$ 66,536 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB.

O investimento estrangeiro em ações brasileiras ficou negativo em novembro em US$ 321 milhões. No acumulado do ano, o resultado está positivo em US$ 2,341 bilhões. Já o investimento estrangeiro em títulos de renda fixa ficou positivo em US$ 613 milhões em novembro e soma US$ 5,575 bilhões no acumulado do ano até o mês passado.

O saldo das remessas de lucros e dividendos ficou negativo em US$ 2,023 bilhões em novembro. As remessas somaram US$ 19,729 bilhões no acumulado do ano até o mês passado, o que representa uma queda em relação ao resultado do mesmo período de 2011 (US$ 33,426 bilhões).

O BC informou ainda que as despesas com juros externos somaram US$ 1,020 bilhão em novembro, acumulando no ano resultado de US$ 9,642 bilhões. No mesmo período do ano passado, estes gastos somavam US$ 7,975 bilhões.

Dívida externa

O Banco Central informou que a estimativa para a dívida externa brasileira em novembro é de US$ 310,776 bilhões. Em setembro deste ano, esse saldo era de US$ 309,491 bilhões. Em dezembro do ano passado, a dívida externa estava em US$ 298,204 bilhões.

Segundo o BC, entre os principais fatores de variação da dívida entre setembro e novembro destacam-se as captações líquidas de US$ 1 bilhão do setor não financeiro e de US$ 573 milhões por parte dos bancos. Os empréstimos tomados pelo governo somaram US$ 55 milhões, enquanto a variação na paridade de moedas reduziu o estoque em US$ 771 milhões.

A taxa de rolagem de empréstimos de médio e longo prazos obtidos no exterior mostrou recuperação depois de uma drástica queda em outubro. Segundo dados do Banco Central, essa taxa ficou em 267% em novembro.

No mês passado, estava em 113%. De janeiro a novembro, a taxa de rolagem está em 196%, bem abaixo dos 487% verificados no mesmo período de 2011. Naquele ano, o fechamento da taxa de rolagem foi de 460%. Em novembro, a rolagem de papéis ficou em 829%, enquanto a dos empréstimos diretos, em 151%. No acumulado do ano até novembro, essas taxas são de respectivamente, 237% e 179%.

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