Países americanos terão fundo para combate à febre aftosa

Brasília, 1º - O Comitê Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa oficializou hoje a criação de um fundo do qual sairão recursos para ações complementares de combate à febre aftosa nos 35 países do continente americano. A proposta de criação do fundo surgiu em encontro realizado neste ano, em Houston, nos Estados Unidos, entre os representantes da cadeia produtiva da carne de todo o continente. Durante reunião extraordinária do comitê, hoje, em Brasília, o chefe da unidade de saúde publica e veterinária da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) em Washington, Albino Bettolo, disse que a prioridade do plano será o combate da doença na Venezuela, Equador, Norte e Nordeste do Brasil e na fronteira do Chaco, entre Bolívia, Paraguai e Argentina. "Essas são as regiões mais críticas para a doença", resumiu o diretor do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), Eduardo Correa. "Do Panamá para cima, não há mais registros de febre aftosa. O problema está localizado na América do Sul, mas os países do continente sabem da necessidade de combate integral", comentou Bettolo. América do Norte, Centro América e Caribe são regiões livres da febre aftosa. Mesmo livres da doença, os americanos devem contribuir para a formação do fundo. Em entrevista à Agência Estado, o diretor da Associação dos Produtores de Soja dos Estados Unidos, Philip Bradshow, disse que há interesse em alocar recursos, mas não citou valores. Cerca de 40% da soja produzida nos Estados Unidos é destinada à alimentação de bovinos. O registro de um foco de aftosa no rebanho americano impediria as exportações de carne e refletiria diretamente nos preços internacionais da soja. A primeira contribuição para o fundo foi feita por um pecuarista brasileiro. Um criador de Minas Gerais doou uma novilha de alta linhagem, que foi vendida num leilão por US$ 25 mil, contou Bettolo. "Essa foi a doação inaugural do fundo", afirmou o representante da OPAS. O presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, disse que possíveis doações serão avaliadas pela iniciativa privada. A gestão do fundo ficará a cargo do comitê e os recursos poderão ser direcionados sempre que houver demanda, prioritariamente para as regiões de fronteiras. Integram o comitê 12 representantes governamentais e de entidades do agronegócio das sub-regiões da Bacia do Prata, Andina, Amazônia, América Central, América do Norte e Caribe. A expectativa de Bettolo é alocar US$ 48 milhões para as ações num período de cinco anos. Para se ter uma idéia do valor, ele lembrou que o combate à aftosa custa a todos os países da América do Sul US$ 330 milhões por ano.

Agencia Estado,

01 de dezembro de 2004 | 17h22

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