Países desenvolvidos precisam ceder, diz presidente da OMC

Para Pascal Lamy, nações ricas precisam 'colocar algo na mesa' se quiserem acordo com emergentes

Renan Carreira, da Agência Estado,

19 de setembro de 2011 | 14h07

Os países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) precisam decidir como acabar com o bloqueio nas negociações de Doha quando eles se reunirem em dezembro, já que o impasse está prejudicando o próprio sistema, disse nesta segunda-feira, 19, o presidente da entidade, Pascal Lamy.

Lamy disse que o principal ponto de discórdia nas negociações é entre mercadosemergentes e desenvolvidos. "Se os países membros querem que osmercados emergentes tenham mais responsabilidade, eles devem colocaralgo na mesa", disse. "É o 'em troca de' que ainda precisa serdecidido", explicou.

"(Os países) membros entenderam nos meses recentes que o impasse está afetando o sistema", disse Lamy, em um fórum público da OMC. "Nós precisamos sair dessa situação, parar de passar a bola, deixar de culpar os outros."

Ele afirmou que a questão será discutida na reunião da OMC em dezembro e não descartou que se chegue a um acordo ou uma "Doha light". "Nós precisamos decidir (na reunião) como lidar com essa situação ao longo dos próximos dois anos", disse Lamy. "A OMC é pragmática. Digamos que um acordo de 80% não é tão ruim."

O presidente da OMC afirmou que a organização vê a possibilidade de retorno da recessão global, junto com a ameaça de países se fecharem ao comércio. "Há um risco de recessão novamente", afirmou Lamy. "Pressões protecionistas vão retornar."

Lamy disse que não é papel da OMC discutir questões sobre o mercado internacional de divisas, cuja atribuição é do Fundo Monetário Internacional (FMI). Entretanto, ele afirmou que a situação na Europa é um assunto da OMC. "É uma preocupação de todos", disse ao ser perguntado sobre a crise da dívida na zona do euro. "Os países se endividaram demais." 

Rússia

Lamy disse ainda que a Rússia deve tornar-se membro da instituição ainda neste ano, acrescentando que o único debate ainda em andamento sobre esse assunto são os subsídios concedidos pelos russos à indústria doméstica de automóveis.

Lamy disse também que a regulação deve ser o principal obstáculo para o comércio mundial no futuro. "A obstrução real ao comércio mundial não serão os subsídios, as restrições de volume ou as tarifas. Será a regulação - é nisso que precisamos basear uma nova combinação de acordos bilaterais e multilaterais", acrescentou. As informações são da Dow Jones.

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