Países ricos precisam de US$ 10,5 tri em créditos

Para a OCDE, necessidade de crédito dos governos deve bater todos os recordes

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

12 de dezembro de 2011 | 23h00

GENEBRA - Países ricos precisarão tomar empréstimos no valor de US$ 10,5 trilhões para honrar os compromissos financeiros em 2012 e financiar as atividades de investimento e serviços públicos. O alerta é da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que, segundo seus especialistas, aponta que a necessidade de crédito dos governos vai bater todos os recordes.

Na avaliação da entidade, o ano de 2012 verá governos, empresas e bancos disputando créditos internacionais, num cenário de incertezas e com um volume de empréstimos em franca queda.

Um relatório publicado no fim de semana pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) mostra que instituições financeiras já estão fechando as torneiras, da mesma forma que fizeram em 2008.

O que os economistas alertam, porém, é que isso deve agravar a recessão, elevar o número de empresas fechando as portas e incrementar as demissões. Segundo a OCDE, porém, a realidade é que a captação de recursos por parte de Estados nos mercados privados será cada vez mais difícil. Espanha e Itália descobriram nas últimas semanas essa realidade, sendo obrigadas a pagar taxas de juros proibitivas para conseguir vender papéis da dívida.

Demanda recorde

Se a seca nos créditos será uma realidade em 2012, a constatação da OCDE é ainda de que nunca a demanda dos governos foi tão elevada como agora. O volume de empréstimos que serão necessários em 2012 é duas vezes superior ao volume de 2005. Em comparação a 2007, quando a crise estava por eclodir, governos dos países ricos vão precisar arrecadar US$ 1 trilhão a mais no ano que vem.

Em 2011, o ano deve fechar com US$ 10,4 trilhões em empréstimos a governos, praticamente 20% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Mesmo com todos os esforços de austeridade e cortes de gastos, países europeus, Estados Unidos e Japão verão ainda um incremento nas necessidades de crédito em 2012 e será apenas em meados da década que esse volume de empréstimos começará a cair.

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