Pão de Açúcar deve dobrar aposta no setor de atacarejo

Após inaugurar 13 unidades de atacarejo em 2016, empresa controlada pelo francês Casino deve abrir até 28 lojas do Assaí neste ano

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2017 | 05h00

O grupo de alimentação Pão de Açúcar (GPA), agora separado da Via Varejo – operação de eletrodomésticos que está à venda –, vai dobrar a aposta no setor de atacarejo neste ano. A empresa, que abriu 13 lojas da marca Assaí em 2016, vai ampliar a rede em até 28 unidades este ano, segundo o presidente da companhia, Ronaldo Iabrudi. O ânimo é justificado por números. Em 2016, as vendas totais do grupo subiram 11,7%, para R$ 45 bilhões, enquanto o faturamento do Assaí saltou 39,2%.

O Pão de Açúcar, controlado pelo francês Casino, não está sozinho na aposta nos atacarejos – nos últimos anos, a expansão do Carrefour também tem se concentrado no Atacadão, líder no segmento. Na avaliação de Iabrudi, a priorização do formato reflete ainda uma mudança, em função da crise, no padrão do consumo do brasileiro. O executivo diz que, mesmo que os ventos da economia fiquem mais favoráveis, a clientela continuará preferindo ir a uma loja mais simples e pagar menos pelos produtos.

Uma pesquisa do Pão de Açúcar aponta que 96% das pessoas que “descobriram” o atacarejo durante a piora da economia dizem que continuarão a dar preferência a essas lojas mesmo que o País volte a crescer.

O executivo destaca que, até agora, não houve uma “virada” no cenário econômico. A vice-líder do mercado brasileiro de alimentação vem crescendo com ganho de participação de mercado, assim como o Carrefour, que ocupa o primeiro lugar (ver quadro). Segundo a Associação Brasileira de Supermercados, o GPA fechou 2016 com 10,8% do setor, ante 11,8% do Carrefour.

No entanto, segundo um relatório do banco Brasil Plural, a tendência é que a diferença entre a primeira e a segunda colocadas diminua em 2017. E isso ocorrerá porque o desempenho relativo do Pão de Açúcar é bom também fora do atacarejo. “O ranking não reflete o momento das vendas do GPA”, diz relatório do banco. A instituição destaca ainda que, enquanto as vendas dos hipermercados Carrefour estão no zero a zero, o Extra, hipermercado do GPA, cresce 5%, em média, nas lojas abertas há mais de 12 meses.

“O tamanho do mercado não está aumentando. Pelo contrário, o bolo está diminuindo”, diz Iabrudi. Apesar disso, o trabalho interno feito pelo GPA deve aparecer nos resultados de janeiro a março, avalia o executivo.

Formatos. Embora a recessão tenha iniciado de fato em 2015, Iabrudi afirma que a desaceleração começou a ser sentida no varejo um ano antes. Foi nessa época que o GPA começou a redefinir a importância de cada um de seus formatos.

Em 2013, os hipermercados representavam 50% das vendas do grupo; seguidos por supermercados (30%); e o Assaí (20%). A relação se inverteu: até dezembro, o atacarejo terá 43% do faturamento; hipermercados, 35%; e demais formatos, 22%. Ainda assim, a dependência do atacarejo será menor do que no Carrefour, que hoje está em 65%, segundo o Brasil Plural.

Embora a empresa tenha conseguido melhorar o resultado das bandeiras Extra, a tendência é de aceleração da conversão dos hipermercados em atacarejos. No ano passado, foram abertas 13 lojas Assaí. Em 2017, o formato pode ganhar até 28 novas unidades. Entre 6 e 8 unidades serão construídas, enquanto entre 15 e 20 Extras serão transformados em Assaí.

Em relação ao hipermercado, o atacarejo tem fluxo de clientes 30% maior e valor médio de compras 100% superior. Após a conversão, o faturamento por loja chega a triplicar. “Ninguém vai até um Assaí só fazer uma comprinha”, diz Iabrudi.

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