Para a Cisco, vídeo é a próxima onda

Empresa lançou equipamento capaz de suportar um bilhão de videochamadas simultâneas

Marili Ribeiro e Renato Cruz, de O Estado de S. Paulo,

22 de março de 2010 | 23h00

O holandês Wim Elfrink ocupa o cargo de diretor de Globalização da americana Cisco, maior fabricantes de equipamentos de comunicação de dados do mundo. Há quatro anos ele se mudou para Bangalore, na Índia, para acompanhar de perto o que acontece no que ele chama de "mercados de hipercrescimento". Esta semana, ele está no Brasil, outro desses mercados em expansão acelerada.

 

"A próxima grande onda é o vídeo", disse Elfrink, que participou ontem de um almoço na sede do Grupo ABC, do publicitário Nizan Guanaes, em São Paulo. Ele explicou que a explosão do vídeo via internet permitirá uma série de novas aplicações em áreas como teletrabalho, telemedicina e tele-educação, que podem revolucionar mercados de hipercrescimento como a Índia e o Brasil.

 

No começo do mês, a Cisco lançou um roteador (equipamento responsável pelo tráfego em redes com tecnologia da internet) chamado CRS-3, capaz de suportar 1 bilhão de videochamadas simultâneas. "Há sete anos, quando lançamos um roteador que suportava 1 bilhão de chamadas de voz, muita gente achou que não haveria necessidade para ele", afirmou o diretor da Cisco. "Hoje, com o crescimento do mercado celular, ninguém mais faria essa pergunta." O CRS-3 tem velocidade de 322 terabits por segundo, o que equivale a 161 milhões de conexões convencionais de banda larga.

 

"Num mercado como a Índia, temos de partir do que as pessoas conseguem pagar para formatarmos os serviços", explicou Elfrink. "Para levarmos educação para todos, será preciso oferecer mensalidades de US$ 1 por mês. Isso não será possível sem tecnologia." Ele acrescentou que a beleza de um mercado de 1,1 bilhão de pessoas como a Índia está no retorno proporcionado pela escala. Um produto com o preço certo pode atender centenas de milhões de pessoas.

 

A Cisco participa do projeto de Nova Songdo, na Coreia do Sul, uma cidade planejada como um centro de negócios internacional de US$ 35 bilhões, localizada a 65 quilômetros da capital Seul, com tecnologia de ponta e conceitos internacionais de sustentabilidade. O Brasil poderia ter um projeto similar, se houvesse disposição de investidores.

A Cisco está interessada em se aproximar de municípios brasileiros. Elfrink tem reuniões marcadas com os prefeitos de São Paulo e do Rio de Janeiro, para falar sobre o uso da tecnologia.

 

Em 2006, ele e a família – esposa, três filhos e dois cachorros – deixaram a Califórnia e foram para Bangalore. E os cães não estranharam? "Eles estão muito felizes", garantiu o executivo.

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