Para a Fiat, fim do desconto do IPI não esfriará mercado

Presidente da montadora na América Latina espera que haja compensação pela redução de juros

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

01 de outubro de 2009 | 12h52

O mercado de automóveis no Brasil vai se manter aquecido apesar do fim do incentivo da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que começa a ser retirado nesta quinta-feira, 1, segundo acredita o presidente da Fiat na América Latina, Cledorvino Belini. O desconto no IPI está sendo retirado gradualmente até dezembro, quando o incentivo deixará de existir.

 

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Ele disse que espera que a conjuntura econômica amenize o efeito do fim do benefício fiscal sobre o mercado automobilístico. "Esperamos que haja compensação pela redução de juros e das taxas de desemprego, o mercado deve se manter estável, mas é claro que não atingiremos novos recordes como o observado em setembro", afirmou Belini em entrevista após o lançamento do Fiat 500, novo carro que está sendo comercializado pela empresa no mercado nacional.

 

De acordo com o executivo, o incentivo fiscal via IPI resultou em um aumento nas vendas do setor equivalente a 300 mil unidades. Segundo ele, o cenário para 2010 ainda é incerto, mas a expectativa é que o desempenho seja similar a 2009. Até o momento, segundo o executivo, o mercado brasileiro de automóveis registra um crescimento nas vendas de 4% ante igual período do ano passado.

 

Ainda segundo ele, estudos realizados pelo setor apontam que a perda de arrecadação do governo por causa da redução do IPI acabou sendo mais do que compensada com o aumento do total arrecadado com outros tributos como PIS/Cofins e ICMS. "Foi uma experiência e agora é positivo que o governo possa rever os impostos, o Brasil precisa fazer esforços para crescer e ganhar escala para elevar a competitividade das exportações", afirmou.

 

Belini afirma que o País produz hoje cerca de três milhões de automóveis ao ano e, para ganhar escala, deveria aumentar essa produção para 5 milhões de unidades anuais. "Com o real valorizado e os impostos (de exportação) a balança comercial do setor terá saldo zero ou até negativo em 2009, é preciso aumentar a competitividade e isso vai ocorrer com ganho de escala", disse. Ele explicou que o setor tem capacidade instalada para produção de quatro milhões anuais de automóveis mas, com a expansão do mercado, o aumento de capacidade poderá ocorrer rapidamente.

 

De acordo com o Belini, a crise econômica não alterou o atual plano de investimentos da Fiat e da Iveco (empresa produtora de tratores), de R$ 5 bilhões no País entre 2008 e 2010, em projetos de expansão nas unidades de Betim, Sete Lagoas e Contagem, todas localizadas em Minas Gerais. "Os planos de investimento, seja de instalação de capacidade produtiva ou equipamentos, são de longo prazo e estão sendo mantidos". Segundo ele, as perspectivas do mercado brasileiro serão reavaliadas a partir de 2011, quando será definido o novo plano. O executivo explicou que, no momento, as vendas de caminhões e tratores "não estão indo muito bem" como ocorre com os automóveis.

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