Monica Alves/Estadão
Monica Alves/Estadão

Para Abilio Diniz, solução para a crise é política

Presidente do Conselho da BRF diz estar se preparando para a volta do crescimento

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

19 Outubro 2015 | 22h25

SÃO PAULO - O presidente do Conselho da BRF, Abilio Diniz, disse que antes da crise era sempre chamado para falar de um Brasil que dava certo e que agora é chamado só para falar sobre a crise. Em janeiro, contou, foi convidado para fazer uma palestra em Paris, no mês de julho, sobre a crise e temeu que, quando chegasse o momento, já não mais teria assunto para falar, uma vez que acreditava que tudo já teria se resolvido.

"Mas a crise, que foi classificada por Lula de marolinha, foi brava", disse o executivo durante palestra que fez no 2.º Fórum Liberdade e Democracia São Paulo. Contudo, de acordo com Abilio, essa crise não é duradoura e se resolverá assim que for resolvida a crise política. Ele disse evitar "arroubos expansionistas", mas que está se preparando para a retomada do crescimento, como em 2008.

Mas ainda dá para falar de um País que tem dado certo, de acordo com Diniz, como o agronegócio, por exemplo. Ele citou o crescimento de 9% da BRF no primeiro trimestre, em plena crise. A BRF hoje é a maior exportadora de frangos do mundo e a segunda maior produtora. Com 14 mil granjas associadas, a BRF abate 7 milhões de frangos por dia. 

'Política fracassada'. No mesmo evento, o ex-presidente do Banco Central (BC) e presidente da Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco, disse que o capitalismo de Estado adotado na era ‘pós Lulo-petismo’ pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega é uma política fracassada.

De acordo com Gustavo Franco, a chamada nova matriz econômica implementada pelo ex-ministro levou a economia ao estado atual de deterioração. "Pedalismo, heterodoxia e tudo que poderíamos inventar fracassaram", disse.

"O resultado é esse, a contaminação de um sistema que preza pela liberdade”, disse Franco, para quem “o mundo que queremos construir pela economia de mercado é a economia da integridade."

O Partido dos Trabalhadores (PT), disse Franco, trouxe para o Brasil desarranjos institucionais para promover vantagens indevidas.

Franco defendeu a redução do Estado na economia e a privatização de empresas estatais. Segundo ele, é preciso perder os pudores com a privatização.

Patrimônio. Ele disse ainda que a privatização não é mais uma questão ideológica de gestão pública versus gestão privada. "Isso já está superado. É uma questão de preservação de patrimônio."

Ainda segundo Franco, se a economia não funcionar desta forma, o País ficará refém de "bobagens como o calote da dívida."

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