Para acadêmicos, inflação cairá muito mais nos EUA em 2011

Segundo o Wall Street Journal, o relatório projeta que o núcleo do índice de preços dos gastos com consumo poderá ter uma redução de 0,8 ponto porcentual até o segundo trimestre de 2011

Renato Martins, da Agência Estado,

27 de agosto de 2010 | 14h20

A inflação poderá cair muito mais em 2011, graças ao enorme excesso de capacidade de oferta que se formou na economia norte-americana durante a recessão, diz um relatório de pesquisa de dois acadêmicos a ser apresentado nesta sexta-feira, 27, na conferência monetária do Fed de Kansas City em Jackson Hole (Wyoming). O texto foi produzido por dois econometristas, James Stock, da Universidade Harvard, e Mark Watson, da Universidade de Princeton.

Segundo o Wall Street Journal, o relatório projeta que o núcleo do índice de preços dos gastos com consumo, a medida de inflação preferida pelo Fed, poderá ter uma redução de 0,8 ponto porcentual até o segundo trimestre de 2011, de 1,5% anual no segundo trimestre deste ano. A projeção se baseia nas relações que os autores traçaram a partir de ciclos anteriores de recessão.

Algumas medições de inflação já estão abaixo da meta extraoficial do Fed, de 1,5% a 2,0%. Um declínio para perto de zero, se acontecer, provavelmente será recebido com alarme pelo Fed e dará aos dirigentes da instituição mais incentivo para que adotem novas medidas para impedir que isso aconteça. Hoje, na conferência de Jackson Hole, o presidente do Fed, Ben Bernanke, que o Fed está atento para evitar mais desinflação.

O artigo de Stock e Watson examina o que aconteceu em sete episódios de recessão desde 1960, nos quais o desemprego disparou. Há décadas os economistas vêm tentando estabelecer a conexão exata entre inflação e desemprego, e a crença mais comum é a de que a inflação cai quando o desemprego aumenta e vice-versa. Mas essa conexão nem sempre se mantém, como aconteceu nos anos 1970. Os autores do artigo mudaram o ponto de vista tradicional ao olhar apenas para a conexão entre inflação e desemprego nas recessões. Para eles, nos últimos 50 anos um crescimento agudo do desemprego tem causado o que eles chamam de "intervalo de recessão no desemprego" ("unemployment recession gap"), que puxa a inflação para baixo.

Há uma exceção importante nessa observação, em 2004. O modelo de Stock e Watson prevê que a inflação teria caído durante a recuperação econômica daquele ano, que não foi acompanhada por um crescimento do emprego. Ao invés disso, ela teve uma elevação de 0,7 ponto porcentual. "Não temos uma explicação para essa elevação da inflação", diz o artigo.

Uma possibilidade é que, em períodos anteriores, a inflação caiu depois de recessões em parte porque o Fed queria que isso acontecesse, em sua campanha para acabar com as inflações dos anos 1970. Em 2004, os dirigentes do Fed temiam que a inflação estivesse baixa demais e prometeram manter as taxas de juro baixas. Essa atitude pode ter ajudado a puxar a inflação para cima, ao elevar as expectativas de inflação futura. Hoje, o Fed está em um dilema semelhante.

As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
inflaçãocapacidadeoferta

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.