Para analistas, dividendos da Oi não estão garantidos

A Oi fechou cerca de R$ 4 bilhões em venda de ativos desde dezembro. Apenas nesta segunda-feira, 15, a companhia anunciou um desinvestimento de R$ 2,431 bilhões em torres de telefonia e alienação de participação em empresa de cabo submarino. Para engordar o caixa, as operações ainda dependem da aprovação de órgãos regulatórios.

MÔNICA CIARELLI E RODRIGO PETRY, Agencia Estado

15 de julho de 2013 | 19h05

A notícia foi bem recebida pelos investidores por dar mais fôlego financeiro ao grupo Oi. As ações ordinárias (ON) fecharam com alta de 9,89% e as preferenciais (PN), com valorização de 9,88%.

No mercado, a estratégia da companhia de sair de segmentos menos rentáveis é considerada positiva. Mas, alertam analistas, os recursos não garantem o pagamento em agosto da antecipação dos dividendos de 2013, que somaria R$ 1 bilhão.

A política de remuneração dos acionistas prevê que o pagamento só seja feito quando a relação entre a dívida líquida e o Ebitda ficar abaixo de 3 vezes. No resultado do primeiro trimestre, a relação ultrapassou o limite ao ficar em 3,05 vezes. A dívida líquida ao final de março era de R$ 27,495 bilhões.

A Oi deixou claro que a definição sobre os dividendos só levará em conta a relação entre dívida/Ebitda do segundo trimestre. Ou seja, qualquer reforço de caixa futuro não entra nesse cálculo.

"Não esperamos que a empresa pague seus dividendos em agosto, uma vez que a alavancagem atual é de 3,05 vezes", afirmou Susana Salaru, analista do Itaú BBA.

O analista da Ativa Marcelo Torto ressalta que as vendas anunciadas são "positivas para o futuro", mas não devem garantir o pagamento dos dividendos no curto prazo. "A companhia não vai conseguir arcar com todo esse pagamento", afirmou, ao ser questionado sobre a capacidade de distribuição de proventos no próximo mês.

Um analista do setor que preferiu não ser identificado calcula que, após o aval dos órgãos reguladores, as vendas vão trazer a relação entre a dívida líquida e o Ebitda da Oi para um nível abaixo de 2,8 vezes. Com isso, destacou, o pagamento dos dividendos da companhia em 2014 estariam garantidos.

Na avaliação de profissionais do mercado, a Oi poderia optar também por postergar o pagamento dos dividendos, priorizando a amortização do principal da dívida e seu custo financeiro. "A situação financeira da empresa está desequilibrada pelo desejo dos sócios de tirar o máximo de dividendos. O mercado está certo de que essa situação é insustentável", diz o analista da Gradual Investimentos, Flavio Conde.

Apenas as recentes vendas superam em mais da metade o valor de mercado em bolsa das ações da Oi, de cerca de R$ 5,8 bilhões, segundo os cálculos de Conde. "A empresa está transformando ativos imobilizados em dinheiro vivo para reduzir seu endividamento", concluiu. Apenas em 2013, as ações ON e PN da Oi desvalorizaram-se, ambas, mais de 52%.

Eduardo Tude da consultoria Teleco avalia que a venda de ativos é positiva para a companhia ganhar fôlego financeiro visando a viabilizar investimentos em segmentos estratégicos, como os serviços de banda larga fixa e tecnologias 3G e 4G.

"É importante focar segmentos mais rentáveis para não perder espaço para a concorrência em cidades mais lucrativas", afirmou.

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