Para Dilma, excesso de liquidez afeta competitividade e pressiona inflação

A presidente do Brasil enalteceu o crescimento do Mercosul nos seus 20 anos de criação, passando de um comércio de US$ 5 bilhões, em 1991, para US$ 45,5 bilhões

Marina Guimarães, enviada especial da Agência Estado,

29 de junho de 2011 | 14h16

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, enalteceu o crescimento do Mercosul nos seus 20 anos de criação, passando de um comércio de US$ 5 bilhões, em 1991, para US$ 45,5 bilhões, em 2010, em discurso na abertura da 41ª Cúpula do Mercosul, em Assunção. Aliado ao elogio, ela alertou: "Temos que cuidar dos nossos mercados para que sirvam ao nosso crescimento, gerando emprego e renda para nossos povos. Precisamos avançar na agregação de valor de nossos produtos. Nos países do Mercosul devemos estar muito atentos ao que se passa no mundo. Nesse momento de excepcional crescimento da região, identificamos que alguns parceiros de fora buscam vender aqui produtos que não encontram mercado no mundo rico."

No discurso, a presidente disse que "para continuar no rumo certo, é necessário avaliar o presente para pensar o futuro, porque o mundo passa por profundas transformações". Ela citou, por exemplo, a crise financeira global que atingiu o planeta em 2008, "que ainda não foi superada", as dificuldades de recuperação dos Estados Unidos, "que ainda está com crescimento muito abaixo do esperado" e a União Europeia, "que enfrenta situação dramática", como nos casos da Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha, "com consequências negativas que podem afetar inúmeras economias".

No contexto das transformações mundiais, Dilma Rousseff falou que o desempenho da América Latina, especialmente do Mercosul, é muito mais dinâmico. E frisou: "Muitos de nós têm sofrido excesso de liquidez produzido por estes países ricos, que afeta nossa competitividade e é responsável pelas pressões inflacionárias existentes". Na sua avaliação, é preciso avançar em mecanismos comunitários que garantam a proteção deste bloco, ainda na presidência por tempore do Uruguai, que termina em dezembro. "Somente seremos capazes de seguir aprofundando as oportunidades que surgirão, se tivermos uma estratégia conjunta sobre a ação e o futuro do nosso bloco. No Mercosul, a prosperidade de um é a prosperidade de todos", concluiu. 

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