Para FMI, fórmula da América Latina perde fôlego

Alejandro Werner, diretor para o Hemisfério Ocidental, diz que preços de commodities e queda nos juros já não garantem crescimento de 4% ao ano

Fábio Alves, enviado especial da Agência Estado,

22 de abril de 2013 | 08h21

A menos que consiga atrair mais investimentos e acelerar a taxa de produtividade, a América Latina dificilmente conseguirá crescer próximo do nível máximo de sua capacidade de produção no médio e longo prazos, como aconteceu nos últimos dez anos. O alerta é do diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alejandro Werner.

"Os países da região estão utilizando quase toda a capacidade de produção, os termos de troca não parecem que vão continuar melhorando e as taxas de juros na região não devem continuar caindo, aliás, o mais provável é que voltem a subir", disse Werner em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, ao final da reunião anual do FMI e do Banco Mundial, que terminou neste domingo em Washington.

Nos últimos dez anos, segundo Werner, as economias latino-americanas cresceram, em média, 4% ao ano. "Assim, olhando para o futuro, a expansão dessas economias não se dará no mesmo ritmo acelerado dos últimos anos, a menos que os países da região comecem a criar fontes de crescimento da produtividade ou que passem a investir mais e a um ritmo mais acelerado para aumentar o estoque de capital", explicou Werner. E o investimento em infraestrutura é fundamental, acrescentou o executivo do Fundo.

Werner acredita que, no curto e médio prazos, o cenário mais provável para as economias latino-americanos é de estabilidade, sem as surpresas positivas em termos de crescimento que se verificaram nos últimos anos. O FMI projeta um crescimento para a América Latina de 3,4% neste ano e de 3,9% em 2014.

Todavia, as economias da América Latina se encontram numa boa posição, com uma atividade econômica ainda considerada saudável, diz Werner. Todas estão operando num nível de produção próximo da capacidade máxima, com quase pleno emprego e governos que, na média, se encontram numa posição satisfatória das suas contas fiscais. "Não vemos maiores vulnerabilidades."

Segundo ele, a preocupação compartilhada por vários líderes presentes nos eventos foi a emergência de novos riscos, em especial que o excesso de liquidez injetada por países desenvolvidos é o mais novo risco à estabilidade das economias latino-americanas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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