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Para manter liderança, Cielo aposta em nova plataforma para máquinas de cartão

Sistema combina captura de pagamentos e gestão de negócios dos varejistas; solução semelhante está sendo desenvolvida pela concorrente Rede, controlada pelo Itaú Unibanco

Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 11h22

SÃO PAULO -  A Cielo deu um passo preciso para blindar sua clientela da concorrência ao anunciar hoje a criação de uma nova plataforma (POS, na sigla em inglês) que combina captura de pagamentos com gestão de negócios. Embora a iniciativa vá na direção, conforme analistas e fontes ouvidas pelo Broadcast, de manter sua liderança no setor, solução semelhante está sendo desenvolvida pela concorrente Rede (ex-Redecard), que deve iniciar testes ainda neste mês. Outras adquirentes, como a First Data, já oferecem a máquina fora do Brasil.

Tanto a Cielo quanto a Rede esperam chegar à marca de 50 mil novas plataformas até o final deste ano. A Cielo, controlada pelo Bradesco e o Banco do Brasil, coloca seu exército de máquinas inteligentes na rua em 45 dias e pretende alcançar a marca de 1 milhão de unidades em cinco anos. Já a Rede, do Itaú Unibanco, deve disponibilizar 3 mil terminais neste mês e projeta atingir entre 40 mil e 50 mil ao fim do segundo semestre.

Na prática, ambas as plataformas integram a gestão de negócios dos varejistas no dia a dia com a função das máquinas tradicionais de pagamento até então, que é o registro das transações com cartões de crédito e débito. A Cielo teria visitado outros países como, por exemplo, a Índia, e conversado cm vários fornecedores antes de decidir criar sua própria máquina inteligente, segundo fontes. Além da Linx, cuja parceria não evoluiu, também teria tido conversas com a Poynt, empresa norte-americana de tecnologia, que acabou fechando contrato com a Rede, do Itaú Unibanco.

Ao Broadcast, a Cielo admitiu que buscou diferentes referências, no Brasil e no mundo.  Nessa busca, diz a adquirente, encontrou diversas opções, mas nenhuma atendia plenamente ao projeto da Cielo LIO, nova plataforma da adquirente. Com isso, decidiu fazer tudo dentro de casa, tanto a parte do hardware (máquina) como do software (sistema), com o auxílio da sua controlada M4U. "O desenvolvimento próprio, do hardware ao software, nos dá escalabilidade e agilidade incomparáveis no mercado", justifica a credenciadora.

Além da autonomia para evoluir a plataforma, custos também pesam na estratégia de fabricação própria, segundo especialistas. Isso porque os terminais inteligentes, como agregam muito mais funcionalidades, custam mais do que os tradicionais, segundo Victor Schabbel, Bruno Zanotta e Marcelo Telles, do Credit Suisse. Uma fonte diz que este custo gira em torno de US$ 200 por máquina.

O investimento no projeto, que envolveu mais de 100 pessoas, conforme a companhia, está dentro do valor médio que a adquirente dispõe para seu orçamento anual, de cerca de R$ 450 milhões. Rômulo de Mello Dias, presidente da Cielo, durante evento com a imprensa e analistas, na manhã de hoje, admitiu que, sem dúvida, o lançamento da Cielo LIO é uma resposta à concorrência e ainda uma solução que agrega valor ao varejista em um cenário de crise no País.

"Não é simplesmente uma máquina que passa cartão. Tem valor agregado para o cliente e que será precificado conforme a sua demanda. A solução permitirá aos varejistas controlar coisas que antes não eram controladas como fluxo de caixa, estoques", disse Dias, em conversa com jornalistas, nesta manhã.

O presidente da Cielo também não revelou a mensalidade que o novo POS terá. Segundo ele, o valor será flexível e dependerá dos serviços solicitados por cada cliente. A justificativa é de que a proposta da Cielo LIO é ser sob medida para cada usuário. Na opinião de uma fonte do mercado, a adquirente pode utilizar o valor da mensalidade como um trunfo para reter clientes e, consequentemente, ampliar seu volume em um cenário de maior concorrência no País com a liberação para todas as adquirentes capturarem transações de diferentes bandeiras, acabando com acordos exclusivos como a Elo com a Cielo e da Hiper com a Rede que vigoravam até então.

Analistas do mercado veem a iniciativa da Cielo como positiva e na direção certa à medida que, ao evoluir de forma gradual, trará resultados no longo prazo. "A Cielo Lio é agora o primeiro passo na direção certa", avaliam os analistas do Credit Suisse.

As novas máquinas inteligentes possuem uma tela semelhante a de um smartphone de grande porte, possibilitam a instalação de aplicativos e soluções de interesse do lojista e ainda serviços como gestão de pedidos, fluxo de caixa, estoque, dentre outros. No caso da Cielo LIO, o sistema operacional é próprio, baseado em Android, conta com câmera, bluetooth e sistema multiconexão via wi-fi e 3G. Como a plataforma é aberta, o lojista pode inserir seus próprios sistemas de automação comercial e gestão, sendo que três já estão em andamento (NCR, Linx e VTEX) enquanto os lojistas de menor porte podem optar pelo oferecido pela própria Cielo no POS.

"Com a nova plataforma, a Cielo se posiciona mais como uma empresa de serviços, o que poderia reduzir as pressões de preço no longo prazo. Isso é particularmente importante no ambiente atual, onde os novos adquirentes vão finalmente desfrutar da captura de todas as bandeiras de cartões, o que poderia aumentar a concorrência", avaliam Eduardo Rosman e Gustavo Lobo, do BTG Pactual.

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