Para Meirelles, política monetária austera não reduz investimentos

Na avaliação do presidente do BC está havendo um aumento dos investimentos estrangeiros diretos, que já retomaram patamares de antes da crise

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

20 de abril de 2010 | 11h15

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou há pouco que uma política monetária austera não leva a uma queda dos investimentos. "Então, não é verdade que o aumento da Selic provoca uma queda nos investimentos. Na medida em que ela assegura estabilidade econômica e controle da inflação, há um aumento dos investimentos", afirmou Meirelles, que participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para falar sobre a política monetária.


Ele destacou que está havendo um aumento dos investimentos estrangeiros diretos, que já retomaram patamares de antes da crise financeira econômica mundial. Segundo ele, em 2001, esses investimentos representavam 32,8% do passivo externo brasileiro. Hoje, representam 37,9%.

 

Meirelles destacou o aumento do investimento estrangeiro em ações que, segundo ele, saltou de 9,9% do passivo externo brasileiro em 2001 para 32,6%. "O Brasil tem atraído investimentos de melhor qualidade", disse Meirelles, destacando que, por outro lado, os investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa e em outros tipos de investimento tiveram queda neste período.


Meirelles afirmou ainda, durante sua exposição, que o BC está em plena estratégia de saída da crise, o que mostra que a economia brasileira está sólida e de volta à normalidade. Ele lembrou que o BC iniciou a recomposição dos depósitos compulsórios que foram liberados durante a crise. Segundo ele, dos R$ 100 bilhões liberados, R$ 71 bilhões já retornaram ao BC.


De acordo com Meirelles, o que resta são os recursos de direcionamento para bancos pequenos e médios.

Ele lembrou que já houve uma reversão das ações do mercado de câmbio, além de um resgate completo dos empréstimos que foram concedidos durante a crise com recursos das reservas internacionais.


O presidente do BC destacou, na sua exposição inicial, a melhoria do rating brasileiro pelas agências de risco e a redução da dívida líquida nos últimos anos. Segundo ele, a melhoria no rating é resultado, não só dessa queda na dívida externa líquida, como também da manutenção da inflação na meta, da política de estabilização econômica, do aumento dos investimentos, da maior distribuição de renda e do fortalecimento do mercado doméstico.

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