Para rating dos EUA cair de novo lado fiscal teria de piorar mais, diz S&P

O caminho contrário, da recuperação do seu rating anterior, está mais difícil de ser colocado no cenário, diz a agência de rating

Luciana Antonello Xavier, correspondente da Agência Estado,

08 de agosto de 2011 | 11h33

A nota de crédito de risco (rating) dos Estados Unidos pode cair mais nos próximos dois anos, caso o governo norte-americano não consiga cumprir os cortes de gastos prometidos na lei sancionada pelo presidente Barack Obama na semana passada, levando a uma deterioração muito maior do que a prevista no lado fiscal no país, informou hoje a Standard & Poor's, durante teleconferência.

O caminho contrário, no entanto, ou seja, a recuperação do seu rating anterior está mais difícil de ser colocado no cenário, avalia David Beers, diretor para rating soberano global da S&P. "Não há nada no horizonte que sugira a volta do AAA", disse Beers.

A agência de classificação de risco rebaixou o rating dos EUA de AAA para AA+, com perspectiva negativa na última sexta-feira. A perspectiva negativa implica que poderá haver novo rebaixamento em até 24 meses.

Um dos motivadores dessa decisão foi justamente o acordo feito entre republicanos e democratas para elevação do teto da dívida norte-americana, de US$ 14,3 trilhões, e redução do déficit no país. O plano prevê um aumento de cerca de US$ 2,4 trilhões no teto da dívida e um corte de pelo menos US$ 2,1 trilhões no déficit nos próximos dez anos.

No cenário básico, a S&P acredita que a dívida geral do governo crescerá de 74% do Produto Interno Bruto (PIB) ao final de 2011 para 79% em 2015 e para 85% em 2021. No cenário otimista, assumindo que a perspectiva do rating passará para estável, a projeção é de que a dívida geral do governo crescerá de 74% do PIB no fim deste ano para 77% em 2015 e para 78% em 2021.

O cenário pessimista, consistente com o risco de novo downgrade dos EUA, leva em conta que o governo não conseguirá cumprir a segunda rodada de cortes de gastos, de pelo menos US$ 1,2 trilhão e que os juros nominais dos Treasuries ficarão mais altos. Nesse caso, a dívida pública passaria de 74% do PIB em 2011 para 90% em 2015 e 101% em 2021. 

Segungo Beers, assumir que os Estados Unidos podem continuar imprimindo dinheiro e que isso é garantia contra default "é uma visão muito simplificada" do risco de crédito. "E imprimir dinheiro também não assegura o rating AAA", completou Beers.

Os EUA mantinham a nota máxima de segurança contra calote há 70 anos e a S&P foi a primeira das três maiores agências (as outras são a Moody's e Fitch) a tomar essa decisão. Ontem, o ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan disse que há "zero probabilidade" de que os EUA deem o calote no pagamento de suas dívidas. 

Agências hipotecárias


A S&P anunciou hoje o corte do rating de algumas entidades ligadas ao governo federal dos EUA, incluindo as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, de AAA para AA+. A perspectiva para os ratings é negativa. "O rebaixamento da Fannie Mae e Freddie Mac reflete sua dependência direta do governo dos EUA", diz comunicado da S&P.

A Fannie Mae e a Freddie Mac possuíam ou garantiam cerca da metade dos títulos hipotecários dos EUA em setembro de 2008, quando foram colocadas sob intervenção do governo dos EUA. Por isso, sua capacidade de financiar operações "depende pesadamente do governo", diz a S&P. 

(Texto ampliado às 12h10)

Tudo o que sabemos sobre:
créditoratingEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.