Yara Nardi/Reuters
Yara Nardi/Reuters

Para reduzir dívida, CSN quer vender mais R$ 4 bi em ativos até o fim do ano

Siderúrgica da família Steinbruch espera levantar R$ 2 bi em operações ainda no 1.º semestre; na lista dos ativos estão ações da Usiminas e porto de contêineres, no Rio

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2018 | 04h00

Após anunciar a venda da usina LLC, nos Estados Unidos, para a Steel Dynamics por US$ 400 milhões (cerca de R$ 1,46 bilhão), o presidente da CSN Benjamin Steinbruch garantiu que a operação foi apenas o primeiro um movimento para diminuir as dívidas da companhia. O objetivo é vender mais R$ 4 bilhões em ativos neste ano. Metade disso, ainda no primeiro semestre.

+ CSN tem lucro de R$ 1,486 bi no 1ºtri de 2018, 12 vezes maior que em 2017

Em teleconferência com analistas, Steinbruch disse que a CSN, que passou anos rejeitando ofertas que considerava abaixo do preço justo por seus ativos, quer reduzir a alavancagem para abaixo de três vezes até o fim do ano. Em março, o índice estava em 5,82 vezes. 

O executivo citou como possíveis vendas as ações preferenciais da Usiminas detidas pela CSN, o porto de contêineres no Rio de Janeiro (Tecon), a usina Lusosider (Portugal) e ativos de mineração fora da unidade Congonhas Minérios. 

+ CSN negocia venda de unidade nos EUA por cerca de US$ 250 mi

O presidente da CSN esclareceu que, apesar da venda da subsidiária americana, a companhia continuará a atuar comercialmente no país, porque a operação com a Steel Dynamics não engloba o negócio de importação e distribuição. “A LLC será agora uma distribuidora, e, eventualmente, uma produtora no mercado americano”, disse Steinbruch. A empresa informou que o acordo, anunciado na segunda-feira, resultará em uma redução de R$ 1,8 bilhão na dívida líquida da companhia.

+ Primos de Benjamin Steinbruch entram na Justiça para pedir a venda de CSN e Vicunha

O diretor executivo de finanças e relações com investidores da CSN, Marcelo Cunha Ribeiro, disse que a redução da alavancagem deve ajudar no alongamento da dívida. Segundo ele, após esse processo, a CSN deverá emitir bônus para fazer frente ao próximo vencimento.

A dívida líquida da CSN subiu 4% no primeiro trimestre, ante igual período do ano passado, para R$ 26,5 bilhões. Em relação a dezembro, subiu 1%.

Ativos. Segundo Ribeiro, as ações da Usiminas valem R$ 1,2 bilhão e, no caso do Tecon, “as transações recentes mostraram múltiplos de duplo dígito alto”. O executivo disse que o valor de venda da LLC pode subir de US$ 90 milhões a US$ 100 milhões com ajustes relacionados a itens como estoques até a conclusão da transação.

+ Para distribuidores, medida protecionista dos EUA não afetou mercado doméstico

Steinbruch fez uma ressalva na esperada campanha de venda de ativos da CSN. Segundo ele, as vendas serão “uma questão de momento e questão de valor. Todos esses ativos são bons e estão dando Ebitda positivo”, afirmou o executivo.

Steinbruch afirmou que, apesar de ainda ser rentável, atualmente a Lusosider está sendo penalizada por tarifas de exportação de bobinas de aço do Brasil para a União Europeia e que por isso “pode ser um ativo que interesse para a siderurgia americana”. 

Sobre o Tecon, que chegou a ser posto à venda em 2016, ele disse que “pode ser um ativo para disponibilizar se chegarmos a um preço justo”. Já a respeito das ações da Usiminas, Steinbruch comentou que a CSN não vendeu até agora porque acredita que em potencial de alta.

Com a esperada redução na dívida, a CSN busca encerrar suas negociações para alongamento de dívidas com a Caixa Econômica Federal até o início de junho. “Vamos nos dedicar a negociação com a Caixa, as conversas estão adiantadas”, garantiu o presidente da siderúrgica.

Em fevereiro, a CSN alongou sua dívida com o Banco do Brasil e deu 50% de suas ações preferenciais da Usiminas para garantir a operação. Com a Caixa, explicou Ribeiro, a CSN negocia neste momento as condições do empréstimo, “para que reflitam a nova condição da companhia, de menor risco.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.