Paulo Whitaker|Reuters
Paulo Whitaker|Reuters

Para reduzir dívida, Marfrig retoma projeto de IPO da americana Keystone

Abertura de capital de uma das maiores fornecedoras do McDonald’s deverá ser debatida pelos acionistas nos próximos meses; ideia é vender até 30% das ações, com meta de diminuir o endividamento, que é de US$ 3,6 bilhões

Mônica Scaramuzzzo, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2017 | 05h00

A Marfrig planeja retomar o seu projeto de abrir o capital de sua subsidiária americana, a Keystone Foods, uma das maiores fornecedoras de carne processada para a rede McDonald’s. A operação tem o objetivo de acelerar a expansão do negócio e reduzir o endividamento do grupo, apurou o ‘Estado’. A decisão será debatida pelos acionistas da companhia e, se aprovada, começará a ser colocada em prática nos próximos meses. A expectativa é abrir entre 25% e 30% do capital da companhia – antigo projeto do grupo que não foi levado adiante.

Ao Estado, Eduardo Miron, principal executivo financeiro (CFO) da Marfrig e da subsidiária Keystone, afirmou que o grupo dará início a um novo ciclo estratégico para os próximos cinco anos, que incluirá como alternativa a abertura de capital da subsidiária americana, que hoje responde por cerca de 50% da receita do grupo. “Uma outra opção seria a entrada de um investidor minoritário”, disse.

Com uma dívida de US$ 3,6 bilhões (R$ 11,58 bilhões) no terceiro trimestre de 2016, a companhia registrou receita líquida de R$ 14 bilhões entre janeiro e setembro de 2016. A relação dívida/Ebtida está em 3,4 vezes – a meta é baixar esse índice para 2,5 vezes em 2018.

BNDES. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o segundo maior acionista da Marfrig. A instituição concluiu ontem a conversão em ações do empréstimo de R$ 2,5 bilhões que fez para a Marfrig comprar justamente a Keystone Foods, em outubro de 2010.

Com a conversão das dívidas em ações, o banco de fomento – que no passado elegeu a Marfrig e os frigoríficos JBS, Bertin e Independência entre suas apostas de “campeãs nacionais” – passou a ter 32,5% do negócio (ante 19,6%).

Desde novembro, Marcos Molina, fundador e controlador do grupo, iniciou movimento agressivo de compra de ações da empresa no mercado para evitar que o BNDES, depois dessa conversão, se tornasse o maior acionista do grupo.

A estratégia do controlador foi realizada de duas formas: Molina e sua esposa, Marcia Paschoal dos Santos, adquiriram papéis por meio da holding MMS, e também por compras individuais. Com isso, os dois acumulam agora cerca de 40% dos papéis da empresa.

Operação externa. A Keystone arrecada 70% de sua receita nos EUA. Os outros 30% vêm de países da região Ásia Pacífico. “As ações da Marfrig não refletem o valor da Keystone. A Keystone é o caminho para criar valor à Marfrig, mantendo a rigidez financeira.”

O grupo ainda não contratou um banco para dar início a esse processo de abertura de capital na bolsa americana. Também não existe prazo para a operação ser realizada.

No início do ano, a concorrente BRF – união de Sadia e Perdigão – criou oficialmente a OneFoods, que vai atuar no mercado muçulmano. O grupo vai abrir o capital dessa subsidiária para levantar dinheiro para promover a expansão do negócio.

No fim do ano passado, o BNDES barrou o processo de reestruturação do JBS, dono da Friboi, anunciado em maio. Como um dos principais acionistas do frigorífico, o banco vetou a reestruturação da companhia, que previa abrir seu capital na bolsa de Nova York e mudar sua sede para Irlanda.

A Marfrig já tinha anunciado ao mercado que pretendia abrir o capital de suas subsidiárias no exterior em 2015. À época, além de controlar a Keystone, o grupo era dono da Moy Park, que foi vendida naquele mesmo ano à JBS.

Filho de açougueiro, Molina abriu a Marfrig nos anos 1980. Com a ajuda do BNDES na gestão petista, fez pesadas aquisições (incluindo a Seara, também vendida ao JBS). O banco injetou cerca de R$ 4 bilhões no grupo, segundo fontes.

Para analista de mercado Pedro Galdi, da Upside Investor, o principal desafio da Marfrig neste momento é reduzir a dívida. “O mercado global tem se mostrado favorável a captações. No Brasil, há sinais positivos para o mercado de capitais”, disse.

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