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Para reduzir dívida, Vale deve anunciar venda de mais três ativos neste ano

Apesar da recuperação dos preços do minério de ferro, empresa não abandonou meta de diminuir débitos em US$ 10 bilhões até meados de 2017

Mariana Durão, Mônica Ciarelli e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2016 | 07h50

RIO/SÃO PAULO - A Vale promete anunciar pelo menos três negociações de ativos no segundo semestre, mantendo o foco na redução de dívida, apesar do cenário mais favorável de preços para o minério de ferro no início do ano. Ontem, a companhia reportou lucro líquido de R$ 3,6 bilhões no segundo trimestre. Apesar de ter ficado no azul, o resultado foi 30% inferior ao do igual período de 2015, afetado principalmente pela provisão bilionária para arcar com custos relativos ao rompimento da barragem da Samarco, sociedade entre Vale e BHP Billiton.

O programa de desinvestimentos da Vale é um dos trunfos da empresa para a meta de reduzir sua dívida líquida em US$ 10 bilhões até meados de 2017. Em 30 de junho, o total era de US$ 27,5 bilhões. Em teleconferência com analistas, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, adiantou que anunciará duas transações no terceiro trimestre. Sem dar detalhes, Ferreira afirmou que o primeiro anúncio deve ser feito já na próxima semana.

Um terceiro negócio está sendo costurado, mas está em fase mais inicial e, por isso, só deve ser concluído no último trimestre. O plano da Vale é levantar de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões em 2016 com a negociação de ativos. No primeiro semestre, a única operação realizada foi a venda de três navios para a ICBC Financial Leasing, por US$ 269 milhões, que entrarão no caixa em agosto.

A lista de possíveis operações a serem anunciadas pela mineradora inclui uma segunda transação de ações preferenciais, além da venda de sete navios e de ativos de energia. Já os potenciais negócios com ativos de mineração, estratégicos para a companhia, serão feitos por meio da avaliação do sentido de algumas dessas operações no longo prazo.

A mineradora também estima para este ano a conclusão da joint venture de seu negócio de carvão em Moçambique com a japonesa Mitsui. Pelo acordo original, fechado em 2014, a Mitsui investiria US$ 1 bilhão no projeto, sendo US$ 450 milhões na compra de 15% da mina de Moatize e o restante na aquisição dos 50% da Vale no Corredor Nacala, formado por ferrovia e porto. A negociação engloba também um financiamento no modelo “project finance” (com pagamento atrelado à receita do projeto) com uma série de bancos.

A Vale tem tido dificuldade em fechar o financiamento, que deverá destravar de US$ 2 bilhões a US$ 2,7 bilhões de seu caixa. A nova estimativa para a conclusão do “project finance” é o quarto trimestre. Segundo Ferreira, as discussões com as instituições financeiras foram encerradas e a fase atual é de revisão de documentos. O acerto com a Mitsui pode sair antes e trará ajustes em valores e obrigações. A Vale já obteve o aval do governo de Moçambique e agora espera aprovações regulatórias do Malawi, por onde passa a ferrovia, condição precedente para o fechamento dos negócios em Moçambique. A ideia é resolver a questão nas próximas semanas.

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