Para virar potência, Brasil não pode ‘ser amigo de todo mundo’, diz FT

'Os diplomatas brasileiros sabem que, conforme o país cresce como potência econômica, terá de se tornar mais assertivo sobre aquilo que defende', diz artigo

Daniela Milanese, correspondente da Agência Estado,

08 Fevereiro 2012 | 09h27

Se quiser se tornar uma potência global, o Brasil não poderá mais "ser amigo de todo mundo", na visão do Financial Times. O jornal britânico traz hoje artigo com críticas sobre a política externa brasileira, principalmente a respeito do relacionamento com Cuba e o Irã.

Segundo o FT, o novo papel na economia mundial impede que o Brasil continue adotando como política a não interferência em temas de outros países. "Os diplomatas brasileiros sabem que, conforme o país cresce como potência econômica, terá de se tornar mais assertivo sobre aquilo que defende", diz o artigo, assinado por Joe Leahy, jornalista do FT em São Paulo.

Ele critica a atuação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tentativa de mediar um acordo nuclear com o Irã, juntamente com a Turquia, o que considerou uma "gafe". Segundo o artigo, Teerã não se mostrou interessado e Lula saiu como amigo de um governo autoritário, liderado por Mahmoud Ahmadi-Nejad. Na verdade, o Irã aceitou o acordo, posteriormente barrado pelos Estados Unidos.

Para o FT, o governo de Dilma Rousseff vem mostrando uma visão mais "pragmática" sobre a política externa. Mostra disso foi o voto na ONU a favor do envio de inspetores de direitos humanos para o Irã e a concessão de visto de turista para a ativista cubana Yoani Sánchez.

Ainda assim, o FT critica a postura adotada pela presidente na recente viagem a Cuba, quando evitou comentar a questão dos direitos humanos e apontou o dedo para os Estados Unidos, afirmando que a discussão passava pela prisão militar norte-americana em Guantánamo.

Para o jornal britânico, a postura de não interferência servia no passado, quando o País enfrentava os problemas da inflação e do alto endividamento. "O crescimento econômico do País na última década está gerando mais pressão sobre os líderes em Brasília para que adotem posição sobre as questões globais." 

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