Participação do dólar nas reservas mundiais cresce no 4º tri

Segundo FMI, participação da moeda norte-americana voltou a crescer após dois trimestres seguidos de queda

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

31 de março de 2010 | 14h29

A participação do dólar nas reservas externas mundiais alocadas aumentou no último trimestre de 2009, após dois trimestres consecutivos de queda, de acordo com dados publicados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) na quarta-feira, 31. O crescimento ocorre em meio a receios de que a divisa possa perder seu caráter de principal moeda de reserva global por conta da política monetária frouxa e dos déficits fiscais dos EUA.

 

No quarto trimestre do ano passado, o dólar compunha 62,14% das reservas externas mundiais, de 61,5% no trimestre anterior, segundo o FMI. Já a participação do euro caiu para 27,4%, de 27,8% no terceiro trimestre, mas permaneceu acima da taxa de 26,4% registrada no quarto trimestre de 2008. A fatia do iene diminuiu para 3,01%, de 3,23% no terceiro trimestre.

 

Em termos absolutos, as reservas externas alocadas somaram US$ 4,56 trilhões no quarto trimestre de 2009, de US$ 4,43 trilhões no trimestre anterior, sendo US$ 2,84 trilhões desse total em dólares.

 

O FMI divulgou também, em dados preliminares, que as reservas mundiais totais somaram US$ 8,08 trilhões no quarto trimestre, de US$ 7,86 trilhões no terceiro trimestre. No quarto trimestre de 2008, as reservas globais estavam em US$ 7,32 trilhões. Os dados não incluem as reservas da China, que somam US$ 2,4 trilhões.

 

A maior parte das oscilações na composição das reservas externas alocadas durante o ano passado pode ser explicada pela variação nas taxas cambiais, segundo Marc Chandler, diretor mundial de estratégia para o mercado de câmbio da Brown Brothers Harriman.

 

O dólar passou a maior parte de 2009 sob pressão devido à taxa de juro próxima a zero estipulada pelo banco central dos EUA, fator que estimulou os investidores a tomar empréstimos na divisa norte-americana para investir em moedas de maior retorno, como o euro. No final de novembro, o euro atingiu o maior nível em 15 meses ante o dólar, de US$ 1,5145.

 

No entanto, a divulgação de uma leitura melhor que a esperada sobre a situação do mercado de trabalho dos EUA em um relatório apresentado no início de dezembro reacendeu as apostas de que o Federal Reserve precisará elevar as taxas de juro antes dos bancos centrais da Europa e do Japão. Isso ajudou o dólar a avançar 5% ante o euro e 8% ante o iene naquele mês.

 

"Dado o declínio de quase 5,7% do euro ante o dólar no primeiro trimestre de 2010, enquanto o iene permaneceu estável, parece que a fatia do dólar nas reservas provavelmente crescerá neste trimestre também", afirmou Chandler.

 

Para Steven Pearson, diretor de estratégia para os países do G-10 do Bank of America Merrill Lynch, a participação do euro nas reservas externas mundiais pode recuar para até 25% ao longo dos próximos dois anos por conta dos receios com a saúde fiscal de alguns países europeus. "Até que esse assunto seja resolvido, a função do euro como moeda de reserva está enfraquecida", acrescentou.

 

Os comentários de Pearson foram feitos antes da União Europeia e o FMI anunciarem um pacote emergencial de auxílio à Grécia que, até o momento, não conseguiu reduzir a preocupação do mercado com as dívidas do país. Nesta semana, a Grécia fez uma emissão de bônus que atraiu uma demanda inferior à prevista pelo governo. As informações são da Dow Jones.

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