Participação privada em próxima ajuda à Grécia não está definida

Governo francês apresentou duas propostas para que credores privados participem do plano de recuperação grega; setor bancário francês tem a maior exposição geral à Grécia

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

29 de junho de 2011 | 12h26

Detalhes da proposta francesa para participação dos credores privados em uma próxima ajuda à Grécia emergiram na terça-feira, 28, mas as discussões prosseguem, uma vez que os bancos alemães querem garantias de que tal acordo não provoque um evento de default.

A proposta francesa mais difundida prevê o reinvestimento de 70% dos recursos provenientes dos vencimentos da dívida grega nos próximos três anos, 50% em papéis gregos com vencimento em 30 anos. Uma segunda proposta apresentada prevê o reinvestimento de 90% dos vencimento em papéis de cinco anos, segundo fontes.

A proposta francesa pode, a princípio, servir de "base para discussão" de um plano envolvendo as instituições financeiras alemãs, mas precisa de ajustes, disse o executivo-chefe do Commerzbank, Martin Blessing, hoje durante uma conferência bancária. De acordo com fontes, os bancos alemães, que têm exposição menor do que à francesa na Grécia, não querem ficar comprometidos com o país por um período tão longo.

A Grécia tem 64 bilhões de euros (cerca de US$ 91,4 bilhões) em bônus com vencimento nos próximos três anos e os credores institucionais (governos) não querem simplesmente honrar os compromissos do país. As autoridades querem a participação dos credores privados e que um esboço amplo sobre como isso ocorreria seja apresentado aos ministros das finanças da zona do euro quando se reunirem em Bruxelas, no domingo.

A principal opção apresentada pela França prevê que os detentores de bônus em vencimento no período de três anos concordem reinvestir metade dos vencimentos em novos bônus gregos com vencimento em 30 anos, que rendam um juro mínimo de 5,5%. Esse rendimento pode aumentar e chegar a um máximo de 8%, se a economia apresentar crescimento, explicou uma das fontes.

Outros 20% dos recursos recebidos pelos credores privados no vencimento dos papéis seriam reinvestidos em títulos de cupom zero de elevada qualidade, os quais não têm pagamento anual de juro mas valor apreciado anualmente. Esse investimento serviria, na prática, para garantir o pagamento dos compromissos após 30 anos.

A proposta alternativa apresentada pela França prevê o reinvestimento de 90% dos vencimentos da dívida em troca de novos bônus de cinco anos, que teriam um juro de 5,5%.

Os bancos alemães levantaram alguns riscos na proposta de 30 anos. Os credores privados da Alemanha não têm tanto exposição quanto os bancos franceses na Grécia e não querem comprometer capital por um período tão longo, segundo executivos alemães. Os bancos alemães e as seguradores teriam de rolar cerca de 7 bilhões de euros em bônus, segundo uma fonte familiar com a questão.

Segundo o Banco de Compensações Internacional, o setor bancário francês tem a maior exposição geral à Grécia, somando US$ 56,7 bilhões, enquanto os bancos alemães possuem exposição de US$ 33,97 bilhões.

Analistas dizem que tal estrutura poderia ser considerada com um default por pelo menos uma agência de rating e não reduziria o fardo da dívida grega que, para muitos economistas, é insustentável. Outras propostas devem surgir de grupos de bancos de outros países nos próximos dias. Hoje, o ministro do comércio da França, Pierre Lellouche, disse que o país está aberto a outras ideias.

O ministro das Finanças da Holanda, Jan Kees de Jager, disse que o país pretende avaliar a opção francesa, mas reiterou que o governo não deveria carregar tanto risco e que espera saber mais sobre o envolvimento do setor privado na ajuda à Grécia no encontro deste fim de semana. As informações são da Dow Jones.

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