Partidos não chegam a acordo sobre cortes orçamentários na Grécia

Nos próximos dias, discussões sobre plano de austeridade serão retomadas; cortes seriam da ordem de 12 bilhões de euros

Priscila Arone, da Agência Estado,

20 de setembro de 2012 | 12h11

ATENAS - Os líderes dos três partidos que compõem a coalizão de governo da Grécia vão retomar nos próximos dias as discussões sobre o plano de corte orçamentário, de vários bilhões de euros, exigido pelos credores internacionais, já que não chegaram a um acordo sobre a questão nesta quinta-feira.

Após uma reunião que durou três horas no escritório do primeiro-ministro Antonis Samaras, Fotis Kouvelis - líder do pequeno partido Esquerda Democrática, um dos menores da coalizão - disse que nenhum acordo foi alcançado sobre a aplicação das medidas.

Em declarações aos jornalistas, Kouvelis também criticou os auditores internacionais da Comissão Europeia, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE) - grupo conhecido como troica - por insistirem nos duros cortes de gastos que a Grécia deve implementar em troca de mais ajuda financeira.

"As negociações continuam. Nada foi fechado, nada foi concluído", disse Kouvelis. "A troica deve encerrar seus ataques contra a sociedade grega."

Cortes

As conversações sobre o pacote - que tem como alvo cortes orçamentários equivalentes a 5,5 pontos porcentuais do Produto Interno Bruto (PIB), ou cerca de 12 bilhões de euros nos próximos dois anos - vêm ocorrendo desde o início de setembro.

Esses cortes estão no centro dos esforços gregos para assegurar a próxima parcela de ajuda prometida pelos parceiros internacionais sob os termos do resgate de 173 bilhões de euros, combinado no início deste ano.

Se os inspetores aprovarem os cortes e outras reformas, a Grécia vai receber 31,5 bilhões em ajuda no mês que vem. Mas as medidas de austeridade já provocam novos protestos. Nesta quinta-feira, a capital grega enfrentava uma greve de 24 horas nos transportes públicos, após uma série de pequenas paralisações, quase diárias, e protestos nas últimas semanas.

Numa rara demonstração pública, um pequeno grupo de agentes uniformizados da polícia, guarda costeira e bombeiros realizou hoje um protesto em frente a escritório do primeiro-ministro para manifestar sua desaprovação aos cortes salariais.

As confederações sindicais GSEE (do setor privado) e ADEDY (dos funcionários públicos) convocaram uma greve geral de 24 horas para 26 de setembro, quando o Parlamento grego deve debater as novas medidas de austeridade. As informações são da Dow Jones.

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