Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Paulo Kakinoff deixa comando da Gol após 10 anos; Celso Ferrer, VP de Operações, assume em julho

Sucessão vem sendo planejada há três anos, segundo a empresa; Kakinoff permanecerá no conselho de administração da companhia aérea

Luciana Dyniewicz e Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2022 | 09h00

Prestes a completar dez anos na presidência da Gol, Paulo Kakinoff deixará a companhia em 30 de junho. O executivo será substituído por Celso Ferrer, hoje vice-presidente de operações da companhia aérea.

Após deixar o cargo de CEO, Kakinoff permanecerá no conselho de administração da Gol. Ele também continuará nos conselhos da Suzano, da Porto Seguro e do Grupo Vamos. Até 2023, Kakinoff deve ficar afastado de cargos executivos.

A sucessão na Gol vinha sendo planejada há três anos e Ferrer já era apontado no mercado como a escolha óbvia para o cargo caso a empresa optasse por algum executivo de dentro da organização. Ferrer estudou Administração e Relações Internacionais, tem MBA pela Insead e também já ocupou a vice-presidência de planejamento da Gol.

Mudança de estrutura

Na semana passada, a Gol anunciou que vai criar, em parceria com a colombiana Avianca, uma nova holding, o Grupo Abra, que vai controlar as duas companhias, além de ter participação na Viva, da Colômbia, e na Sky Airline, do Chile. O acordo – que ainda precisa ser aprovado pelos órgãos reguladores – deve ajudar as empresas a reduzirem seus custos em um momento em que o setor sofre com a ressaca da crise da covid-19 e com a alta do preço do combustível.

Para Julia Monteiro, analista da MyCap, o anúncio da troca de comando na Gol aconteceu em um momento de pouca transparência já que, desde o anúncio da criação da holding, a empresa tem dado poucas informações sobre o desenrolar desse processo. A empresa tem deixado analistas no escuro a respeito de maiores detalhes da medida e da consequente concentração de mercado à qual ela levaria, diz ela.

O novo grupo, com sede no Reino Unido, terá capital fechado. Investidores (sobretudo o fundo Elliot, segundo apurou o Estadão) se comprometeram a injetar até US$ 350 milhões em ações da holding, garantindo liquidez ao grupo. Apesar do negócio, tanto a Gol como a Avianca continuarão operando separadamente.

O salvadorenho Roberto Kriete, acionista da Avianca, será o presidente do conselho do novo grupo. Kriete era dono da Taca e foi responsável pela fusão da empresa com a Avianca em 2009. Ele também fundou a mexicana Volaris em 2006. Constantino de Oliveira Junior, da Gol, será o presidente executivo do grupo.

Adrian Neuhauser, atual presidente da Avianca, e Richard Lark, atual diretor financeiro da Gol, serão co-presidentes do grupo, enquanto mantêm suas atuais funções nas companhias aéreas. 

Acomodação e alta de custos

Segundo o professor César Bergo, coordenador da pós-graduação em mercado financeiro e de capitais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília (FPMB), a ida de Paulo Kakinoff para o conselho de administração da aérea pode ser uma acomodação de governança ligada à decisão de fazer a junção com a Avianca. Para Bergo, a troca tende a trazer fluidez ao processo, uma vez que o novo comandante tem conhecimento profundo das operações da companhia.

“Acredito que tudo isso é mais para facilitar a junção e a criação da nova empresa que vai gerir tanto Avianca como a Gol, para não criar obstáculos. Ele já vinha há muito tempo à frente da empresa. Isso cria uma certa dificuldade com relação a entendimentos, formalização dos contratos, ajustes”, diz o professor. Ele vê expectativa de que o novo CEO consiga levar a Gol a se fortalecer a partir da decisão de se juntar à Avianca.

Além disso, diz ele, como as outras aéreas, a Gol passa por momento complexo por conta dos altos custos de combustíveis, além das heranças da pandemia. No último balanço, referente ao primeiro trimestre, a alavancagem da companhia, medida pela relação dívida líquida ajustada sobre o Ebitda, alcançou 10,1 vezes no primeiro trimestre, ante 10,5 vezes no mesmo intervalo do ano passado. De janeiro a março, o total de empréstimos e financiamentos atingiu R$ 23,2 bilhões, ante R$ 15,7 bilhões em igual intervalo de 2021.

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