PDG Realty voltará a lucrar em 2014, diz presidente

A incorporadora PDG Realty, ex-líder do setor de construção civil, acredita que terá condições de voltar a ser uma empresa lucrativa a partir de 2014. Até lá, seu balanço continuará sendo corroído pelos ajustes para reorganização interna, que começaram no último trimestre de 2012, quando a companhia diagnosticou estouros nos orçamentos de obras que levaram a um prejuízo histórico de R$ 1,78 bilhão. Depois disso, a PDG decidiu desfazer parcerias em empreendimentos, resolveu deixar de atuar em cidades com demanda menor por imóveis, e passou a aumentar o controle dos custos, visando retomar a rentabilidade.

CIRCE BONATELLI, Agencia Estado

10 de maio de 2013 | 14h08

"Parte do ajuste que fizemos vai passar pelos nossos resultados nos próximos trimestres", afirmou o presidente, Carlos Piani, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. O executivo explicou que os próximos balanços podem trazer novos prejuízos em função de eventuais despesas não recorrentes ligadas aos ajustes. Se essas despesas não forem contabilizadas, o lucro ajustado deve ficar próximo a zero, assim como ocorreu no primeiro trimestre. "O lucro vai voltar mesmo em 2014. Aí vai ser fortemente lucrativo", disse Piani.

A PDG teve prejuízo líquido de R$ 73,8 milhões no primeiro trimestre, impactada por R$ 79,4 milhões com despesas consideradas não recorrentes. Se não fosse isso, o lucro seria de R$ 5,6 milhões. Dentre essas despesas, houve o cancelamento de uma parceria com investidor financeiro com participação em empreendimentos desenvolvidos pela incorporadora. Outro fator foi a desistência pela PDG de um empreendimento no Estado de São Paulo cuja obras já haviam sido iniciadas, mas sem rentabilidade dentro do esperado. Juntos, esses dois itens somaram R$ 43,6 milhões. Já os R$ 35,8 milhões restantes se referem ao ajuste contábil da marcação a mercado de debêntures emitidas em 2012.

Questionado, Piani minimizou a chance de surgirem novos ajustes vultosos daqui pra frente. "Não tem nada relevante, nada que a gente espere. Até porque a quantidade de parcerias tem diminuído", disse. Ele ponderou que serão mantidas as parcerias rentáveis e com empresas de grande porte, como ocorre com a Tecnisa em São Paulo e com a Cyrela no Rio de Janeiro. "As parcerias menores nós já liquidamos quase na totalidade".

O presidente da PDG contou que a incorporadora também tem buscado financiamento suplementar para os projetos em desenvolvimento que tiveram orçamentos refeitos após os estouros de custos. Até o primeiro trimestre, já foram aprovados R$ 411 milhões em novos financiamentos, e há mais R$ 98 milhões em fase final de contratação, com tendência desse volume subir nos próximos meses. "Estamos tentando maximizar isso, buscando financiamento em todos os locais possíveis", disse, lembrando que o crédito para financiamento à produção tem juros mais baixos que a emissão de dívida corporativa.

No seu caminho para retornar à lucratividade, a PDG também terá que enfrentar um forte volume de queima de caixa devido à execução das obras em andamento. A incorporadora concluiu no primeiro trimestre 12 mil unidades de um total de 24 mil a 28 mil estimadas para 2013. Segundo Piani, a companhia só deve gerar caixa no ano que vem.

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