Pecuária tem grande potencial para projetos de crédito de carbono

Organizações política e ecologicamente corretas agregam incomensurável ganho à sua imagem institucional e desfrutam vantagens competitivas e comerciais expressivas, considerando que os consumidores valorizam cada vez mais os princípios da ética no universo da economia. Além desses indiscutíveis valores, o Protocolo de Kioto, que entrou em vigor em fevereiro de 2005, possibilita que numerosas empresas, de distintos ramos de atividades, também aufiram lucro com a venda de créditos de carbono, diminuindo a poluição atmosférica por gases causadores do efeito estufa. O tratado prevê a redução de pelo menos 5,2% da emissão desses gases pelos países industrializados. Segundo o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), mediado pela Organização das Nações Unidas, cada tonelada de gás carbônico (CO2) que deixar de ser emitida ou for removida da atmosfera por um país em desenvolvimento, como o Brasil, poderá ser negociada no mercado mundial, por meio da venda do CER (Certificado de Emissões Reduzidas). Este documento é validado por entidades acreditadas pela ONU e organismos internos de cada país, como a brasileira Autoridade Nacional Designada.Até 2012, quando terminará o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kioto, é importante que o Brasil possa desenvolver todo o seu potencial no desenvolvimento desses projetos de produção limpa, que geram divisas e empregos, além de contribuírem para a melhoria da qualidade de vida das comunidades. Os ganhos são muitos, tanto no aspecto social, quanto na preservação do solo e mananciais de água.Atualmente, o País tem dez projetos registrados no Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Apenas sete em todo o Planeta já tiveram créditos de carbono emitidos. Um deles é brasileiro: aproveitamento de metano proveniente de biogás - aterro em Salvador. No âmbito da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, que analisa a contribuição dos projetos para o desenvolvimento sustentável, até janeiro de 2006 haviam sido aprovadas 49 propostas, com previsão de redução de emissões de aproximadamente 13.685.154 toneladas de CO2/ano. A demanda por créditos de emissão em 2012, segundo projeções especializadas, deve ser de US$ 30 bilhões anuais. A participação brasileira nesse mercado é estimada, no mínimo, em 10%. Este índice significa cerca de 130 milhões de toneladas de CO2 a menos na atmosfera. A expectativa, já para 2007, é a de que o mercado de créditos de carbono atinja a casa dos US$ 13 bilhões em todo o mundo.Um dos segmentos no Brasil com grande potencial para o desenvolvimento de negócios relativos aos créditos de carbono é a pecuária, que se constitui em significativa fonte de emissão de gás metano, que contribui para o efeito estufa. Embora a sua ocorrência na atmosfera seja menor do que a de dióxido de carbono, seu poder de aquecimento é cerca de 21 vezes maior. O gado emite metano naturalmente pela respiração, como subproduto da cadeia de seu processo digestivo. Considerando-se que o País tem rebanho bovino de 195 milhões de cabeças (dados de 2004, fonte ABIEC - Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), as oportunidades de projetos são grandes. É esta peculiaridade que torna o mercado de crédito carbono uma opção interessante para os produtores rurais que trabalham com o gado em sistema de confinamento. Os projetos relativos ao setor encaixam-se perfeitamente no perfil dos que têm sido validados pelas Entidades Operacionais Designadas (DOE). Isto é muito positivo, pois poluir menos e ganhar mais (qualidade de vida, ambiente saudável, dinheiro, empregos...) é tudo o que o Brasil precisa. Assim, é importante que esses projetos sejam realizados da maneira correta, pois são muito criteriosos e rigorosos os processos de aprovação.

Agencia Estado,

28 de junho de 2006 | 15h31

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