Pedágio no leilão de rodovias surpreende, diz presidente da Previ

Sérgio Rosa, que dirige maior fundo brasileiro de pensão, avalia que resultado será positivo ao Brasil

Mônica Ciarelli, Márcio Anaya e Luciana Xavier, da Agência Estado,

17 de outubro de 2007 | 16h11

A agressividade do grupo espanhol OHL no leilão de rodovias federais realizado este mês pela União surpreendeu o presidente do maior fundo de pensão brasileiro, a Previ. A OHL ofereceu o menor valor na disputa e conseguiu arrematar cinco dos sete trechos de rodovias colocados à venda, inclusive os dois principais, a Regis Bittencourt e a Fernão Dias. "Todos ficaram surpresos com os valores bastantes baixos (dos pedágios) ofertados pelos vencedores", afirmou o presidente da Previ, Sérgio Rosa, em entrevista exclusiva ao AE Broadcast ao Vivo. Ouça a entrevista com Sérgio Rosa   Apesar de perder a disputa, o executivo acredita que o resultado do leilão é benéfico para a economia brasileira. "Se conseguirmos ter no Brasil a operação de estradas nesse preço (em alguns casos, com pedágio abaixo de R$ 3,00), isso terá um impacto positivo para a economia como um todo", avaliou. Os lances apresentados no leilão representam um deságio médio em torno de 45% em relação ao preço de referência do pedágio fixado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).  Segundo Rosa, se a OHL conseguir implementar um custo mais baixo em infra-estrutura rodoviária no Brasil, esse novo cenário vai beneficiar outras empresas e, conseqüentemente, impulsionar o crescimento econômico brasileiro. Bovespa O presidente da Previ revelou que a alta recente da Bolsa dde Valores de São Paulo (Bovespa) deve acelerar os planos da fundação de vender ações integrantes de seu portfólio de investimentos. Isso deve ocorrer diante das exigências legais de aplicações em renda variável – a fundação dos funcionários do Banco do Brasil, a Previ, é um dos maiores investidores institucionais do País no mercado de capitais. Rosa disse ver com bons olhos a forte valorização da Bolsa este ano (na casa de 40%), apesar de o resultado, na prática, forçar uma estratégia mais agressiva de venda de ações, por conta dos limites legais. "É um problema relativo, pois ninguém vai reclamar de rentabilidade acima da planejada", brincou. Aplicações de risco O executivo afirmou ainda que a fundação não pretende aumentar de forma "significativa" seus investimentos em renda variável no curto prazo – entre elas a participação direta em empresas. Rosa revelou, porém, que o planejamento da Previ inclui investimentos de R$ 300 milhões em fundos de private equity e venture capital. A intenção é buscar aplicações que permitam retornos maiores no longo prazo aproveitando a perspectiva de melhora da economia brasileira.  Ele lembrou que, no ano passado, a fundação selecionou dois fundos voltados para infra-estrutura para aplicar. Ainda em 2007 serão definidos outros dois fundos. Mas, o ramo de atuação pode ser diferente. Segundo Rosa, a Previ também estuda a possibilidade de aplicar em fundos nos segmentos de energia e tecnologia.  Infra-estrutura O executivo concorda, em parte, com as recentes declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de que faltam projetos no Brasil. Ele admitiu que os investimentos e infra-estrutura estão em um ritmo menor do que o esperado, mas lembrou que essa não é uma característica de toda economia e citou como exemplo a Companhia Vale do Rio Doce (mineradora onde divide o controle com a Bradespar), que anunciou um investimento de US$ 59 bilhões para os próximos cinco anos. Rosa comentou também a hipótese, considerada pelo mercado, de uma eventual fusão entre o Grupo Oi (ex-Telemar) e a Brasil Telecom (BrT) - operação que, hoje, esbarra em impedimentos legais. "Quando se tem oportunidade de aumentar a escala e a cobertura, isso é positivo para qualquer setor. Se o legislador entender que é positivo dar essa condição para as companhias (de telecomunicações) se fortalecerem, acredito que, para os acionistas, essa é uma alternativa que gera valor e poderá ser examinada por essas duas empresas." A Previ pertence ao bloco de controle da BrT, ao lado da Petros (Petrobras) e da Funcef (Caixa Econômica Federal). O mesmo grupo tem participação acionária relevante no Grupo Oi (ex-Telemar).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.