Aluísio Alves/Reuters
Aluísio Alves/Reuters

Pedro Coutinho deixará presidência da Getnet após 7 anos

Executivo está no Grupo Santander desde 1997 e assumiu o cargo de liderança na empresa de pagamentos em 2014; ele deixará o cargo em 31 de março de 2022

Matheus Piovesana e Marcia Furlan, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2021 | 19h17
Atualizado 08 de dezembro de 2021 | 11h31

A fornecedora de máquinas de cartões e soluções de processamento de transações Getnet informou nesta terça-feira, 7, que o diretor presidente da companhia Pedro Carlos Araújo Coutinho deixará o cargo em 31 de março de 2022.  Segundo o comunicado da empresa, que faz parte do banco Santander, a medida faz parte de um processo sucessório e o nome do sucessor ainda não foi definido.

O anúncio da saída de Pedro Coutinho foi o fechamento da primeira era da empresa sob a roupagem de titã da adquirência. Coutinho, executivo com décadas de experiência no mercado financeiro, chegou ao cargo pouco depois de o Santander assumir o controle da companhia. Sete anos depois, entregará uma das três maiores adquirentes do País a seu sucessor e que terá a missão de fazer da Getnet uma empresa global em um cenário cada vez mais competitivo.

Coutinho tornou-se presidente da credenciadora no segundo semestre de 2014, vindo da vice-presidência de desenvolvimento de novos negócios do Santander (que também passa por uma transição de gestão, com Mario Leão substituindo Sérgio Rial a partir de janeiro). Já contava com 17 anos de banco quando recebeu a missão de fermentar a massa da companhia. Deixa um trabalho bem avaliado internamente, segundo fontes.

Sob a gestão de Coutinho, a Getnet, criada no Rio Grande do Sul em 2003, se tornou uma mistura de incumbente com desafiante. Incumbente por causa de sua hipertrofia sob as asas do Santander; desafiante porque esse crescimento se deu em meio à "guerra das maquininhas", período em que novas marcas, como Stone e PagSeguro, tiraram pontos das tradicionais Cielo e Rede - que responderam reduzindo sua rentabilidade em nome da liderança.

Sem fazer o mesmo barulho, a Getnet chegou ao pódio. É hoje a terceira maior em volume capturado, se considerados apenas os negócios de adquirência dos pesos-pesados do segmento, e tem 16% do mercado - no e-commerce, chega a um terço. Ao contrário das maiores, elevou nos últimos trimestres a fatia que coloca no bolso a cada transação processada, a chamada take rate, métrica utilizada por analistas para comparar a rentabilidade das empresas do setor.

Sucessão

O desafio de quem suceder a Coutinho a partir de março, porém, vai além de avançar mais no mercado local. O Santander quer transformar a Getnet em uma marca global e, para tanto, colocou a empresa na Bolsa de São Paulo e também na Nasdaq, em Nova York.

A GetNet entrou na B3 em 18 de outubro deste ano. Na estreia, as ações da empresa saltaram 63,5%. Com isso, a empresa foi avaliada em R$ 9,7 bilhões, mais do que a rival Cielo (avaliada em R$ 7,1 bilhões, à época), mas menos do que Stone e PagSeguro, que estão listadas em Nova York.

Hoje, a companhia é controlada diretamente pela PagoNxt, plataforma global de pagamentos do conglomerado espanhol - de "filha", passou a "prima" do Santander brasileiro. Na nova configuração, a empresa quer desbravar o mar aberto, abrindo parcerias com outras instituições financeiras. A primeira delas, com o banco digital de varejo do BTG Pactual, foi anunciada em novembro.

Procurada, a Getnet não se manifestou. No fato relevante em que informou a saída de Coutinho, a empresa disse que ele deixa o cargo em 31 de março do ano que vem e que, em breve, informará quem o sucederá, sem dar maiores detalhes.

Momento desafiador

Fato é que a percepção do mercado sobre o setor não está em seus melhores dias. Junto com as três rivais diretas listadas (Cielo, Stone e PagSeguro), a ação da Getnet perdeu valor ao longo do mês passado. A alta de juros no Brasil e a perspectiva de que subam em breve nos Estados Unidos reduziram o apetite dos investidores pela adquirência e por fintechs - setores que os investidores internacionais acabam comparando ao olhar para o Brasil, apesar das diferenças entre eles.

Essa reavaliação fez os analistas colocarem uma lupa sobre os dados das empresas. Os analistas do BTG, por exemplo, calcularam que até antes da pandemia, 66% das transações que a Getnet capturava vinham de pequenos empreendedores, que em geral pagam mais às empresas de maquininhas que os grandes varejistas. Essa fatia caiu para 39% com a pandemia, o que feriu as margens.

O banco, que fez as contas após encontro com Coutinho e outros diretores da Getnet, afirmou que a ação da Getnet estava barata, mas que a liquidez reduzida pode ser uma barreira. A livre circulação dos papéis da Getnet abrange pouco menos de 10% das ações da empresa, e, de acordo com o BTG, os executivos informaram que não há planos para aumentar esse patamar no momento.

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