Wilton Junior|Estadão
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Pedro Parente não vê conflito em assumir BRF

Acionistas da companhia batem martelo em nomes para formar novo conselho, que será recomposto dia 26

Denise Luna e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 04h00

O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, disse na quarta-feira, 19, não ver conflito ético em assumir o conselho de administração da BRF. Parente não quis dar mais detalhes sobre sua indicação, uma vez que terá de aguardar a votação da assembleia geral extraordinária da companhia, marcada para o dia 26. 

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O nome do executivo, que está à frente da petroleira desde junho de 2016, foi proposto pelo empresário Abilio Diniz, no comando do colegiado desde 2013, e teve apoio da gestora brasileira Tarpon, e dos fundos de pensão Petros (Petrobrás) e Previ (Banco do Brasil). Fontes consultadas pelo Estado dizem que Parente terá condições de conduzir a reestruturação da companhia, que passa por fortes turbulências.

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Ontem, em reunião do conselho da companhia de alimentos, os acionistas presentes discutiram as principais diretrizes que serão tomadas pela BRF, sob o comando de Parente. A companhia teve sua crise agravada agora com a decisão de embargo às exportações de frango de 12 unidades pela União Europeia (UE). Mesmo com notícia do embargo, as ações companhia subiram 4,9%, a R$ 24,17, a maior alta do Ibovespa pelo o segundo dia consecutivo, após a escolha de Parente à frente do conselho. 

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Expectativas. Abilio e Tarpon firmaram acordo com Petros e Previ, que questionavam nos últimos meses a gestão e resultados da empresa, para a escolha de Parente. Juntos, também concordaram em fazer uma lista comum de nomes que podem compor o colegiado. Augusto Cruz, indicado pelos fundos para o comando da chapa dos fundos de pensão registrada em março, foi indicado como vice-presidente. Luiz Fernando Furlan, no topo da lista de Abilio, fará parte do conselho, que contará também com os nomes do ex-ministro Roberto Rodrigues, Flavia Almeida (Peninsula), Dan Ioschpe, o advogado Francisco Petros, e José Luiz Osório, da gestora Jardim Botânico.

Com a decisão do gestora britânica Aberdeen de optar pelo “voto múltiplo”, no dia 26, não será possível, por ora, votar em uma chapa única. Com isso, cada membro do conselho será eleito voto a voto. Fontes próximas aos acionistas esperam que a Aberdeen volte atrás na decisão. O fundo pode tomar essa decisão até 48 horas antes da AGE. Ao Estado, Peter Taylor, gestor da Aberdeen, disse que não tinha planos de mudar de ideia e diz dar apoio ao nome de Parente para comandar a reestruturação da BRF. 

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