Pela 3ª vez, Azul tenta lançar ações na Bovespa e no mercado dos EUA

Pela 3ª vez, Azul tenta lançar ações na Bovespa e no mercado dos EUA

Empresa pede registro de companhia aberta e de IPO na CVM e na SEC; pressão dos fundos de private equity por ‘porta de saída’ e necessidade de captar recursos para a expansão motivam oferta

Marina Gazzoni, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2014 | 16h32

Atualizado às 21h18

A Azul Linhas Aéreas partiu nesta segunda-feira para sua terceira tentativa de abrir o capital. A companhia aérea brasileira apresentou um pedido de registro de empresa aberta e de oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e na SEC (Securities Exchange Commission), órgão regulador do mercado de capitais norte-americano. 

Estimada pelo mercado em R$ 1 bilhão, a oferta de ações da Azul será primária e secundária. Ou seja: parte dos recursos será usada para capitalizar a empresa e outra parte para remunerar acionistas que venderão suas ações na Bolsa de Valores. 

O IPO da Azul está nos planos da empresa desde sua fundação, em dezembro de 2008, mas vem sendo adiado há pelo menos três anos. A primeira estimativa feita pelo fundador da empresa, David Neeleman, era de que a Azul poderia abrir o capital em 2011. O cenário adverso para lançamento de ações na Bolsa brasileira nos últimos anos e a fusão com a aérea regional Trip, anunciada em maio de 2012, fizeram com que o IPO ficasse para depois. 

Segundo fontes do mercado, a empresa vem sendo pressionada pelos fundos de private equity para abrir o capital e dar a eles uma possibilidade de vender suas ações e realizar o investimento feito na companhia. “Isso é normal no mercado. Os fundos não são sócios permanentes”, disse uma fonte do mercado de capitais.

Entre os sócios da Azul, estão os fundos Bozano, Weston Presidio, TPG, Fidelity e Gávea Investimentos, gestora de recursos fundada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Os antigos controladores da Trip, as famílias Chieppe e Caprioli, somam uma participação de cerca de 30% no capital da empresa.

Além de dar uma porta de saída aos fundos de investimento, a Azul também pretende fortalecer seu caixa com a operação. No prospecto da oferta de ações, a aérea diz que utilizará os recursos para comprar jatos da Embraer e ATRs, investir na ampliação de rotas, pagar dívidas e reforçar o capital de giro. A empresa divulgou este ano planos ambiciosos de expansão, que incluem reforços na operação internacional e regional e podem exigir o reforço da frota. Até setembro, a Azul somou receita de R$ 4,2 bilhões e prejuízo líquido de R$ 63 milhões, segundo o documento.

A companhia não comentou a questão, justificando que está em período de silêncio.

Terceira tentativa. A Azul chegou a solicitar o registro de empresa aberta na CVM em maio de 2013 e em fevereiro deste ano, mas as operações não foram adiante. O mercado de capitais ainda está instável, mas a empresa espera que fatores positivos para a economia brasileira e para o setor abram uma janela de oportunidade para o IPO da Azul, avalia o sócio da consultoria Bain & Company, André Castellini. 

Entre os pontos favoráveis à Azul estão a recente queda no preço do barril do petróleo, que desonera o custo das empresas aéreas, o início da operação da empresa no aeroporto de Congonhas e a eventual aprovação do plano de aviação regional, que deve beneficiar a companhia. A divulgação da nova equipe econômica do governo brasileiro também pode acalmar os investidores e viabilizar o IPO, explica Castellini.

O cenário, no entanto, ainda tem fatores adversos, como a valorização do dólar em relação ao real, um componente que desfavorece as empresas aéreas - o custo delas é dolarizado. As próprias incertezas sobre a aprovação do plano de aviação regional pesam contra a oferta.

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