Pelo menos um trecho do trem-bala pode ficar pronto até Olimpíada

Segundo diretor geral da ANTT, governo negociará com consórcio vencedor a antecipação de parte das obras para que trecho entre SP e Rio esteja pronto até 2016 

Silvana Mautone, da Agência Estado,

18 de abril de 2011 | 13h08

O diretor geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Bernardo Figueiredo, disse nesta segunda-feira, 18, que o governo negociará com o consórcio vencedor do leilão do Trem de Alta Velocidade (TAV) a antecipação de parte das obras, para que ao menos o trecho que liga São Paulo ao Rio de Janeiro esteja pronto até 2016, ano em que as Olimpíadas serão realizadas na capital fluminense.

"Trabalhamos com o cronograma de que as obras comecem no segundo semestre de 2012. Pelo edital, o TAV tem que ser construído em seis anos, ou seja, por esse cronograma deve estar pronto até 2018. Mas vamos procurar fazer um esforço com o grupo vencedor para que pelo menos um trecho esteja funcionando até as Olimpíadas", afirmou.

Figueiredo participou na manhã desta segunda-feira de um seminário sobre o TAV na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. Durante sua apresentação, defendeu a modelagem do projeto, mas disse que o governo está aberto ao diálogo. "Fizemos uma modelagem que exige competitividade do empresário para que ele tenha o melhor padrão de retorno. E é uma modelagem que exige pouco esforço do poder público em termos de aporte de recursos", afirmou. "Vamos continuar abertos para ajustes se forem importantes", disse.

Depois, em conversa com jornalistas, deixou claro que os principais pontos do edital, como prazo de concessão e o valor da tarifa, não estão abertos para discussão. Ele disse que apenas alguns detalhes do projeto podem vir a ser discutidos - por exemplo o ponto do edital que hoje dá ao governo a autonomia de decidir qual empresa brasileira participará da transferência de tecnologia. "Os investidores querem participar dessa escolha. Isso é legítimo e pode ser mudado", afirmou.

O diretor da ANTT disse acreditar que há condições de pelo menos três consórcios participarem do leilão marcado para 29 de julho, com data prevista para entrega das propostas até 11 de julho. "Mas se tiver um consórcio já está bom", afirmou. Ele descarta a possibilidade do leilão ser mais uma vez adiado.

No início deste mês, o governo brasileiro adiou pela segunda vez o leilão de concessão do trem-bala. A licitação, que inicialmente deveria ter ocorrido em dezembro do ano passado, já havia sido remarcada para 29 de abril.

Críticas

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse que quer se reunir, se possível ainda esta semana, com investidores interessados em investir no Trem de Alta Velocidade (TAV) para saber "o que falta" para que a formação de consórcios deslanche. "Quero conversar com eles e saber o que falta. Aí buscaremos aparar as arestas com o governo", afirmou.

Segundo ele, não é possível continuar apenas discutindo o TAV indefinidamente. "Essa é a terceira reunião que fazemos sobre o tema na Fiesp. Há três anos, quando estávamos começando a discutir o assunto, a China estava começando as obras do seu trem de alta velocidade. Hoje, a China já tem 3 mil quilômetros de trem de alta velocidade em operação e nós ainda estamos discutindo sobre a construção ou não de 500 quilômetros", afirmou. A Fiesp apoia o projeto do TAV.

A entidade está realizando um seminário nesta segunda-feira sobre o TAV na sua sede, na capital paulista. O diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, participou da abertura do evento. Ele disse que a diferença no custo da infraestrutura de um trem de alta velocidade e de média velocidade é muito pequena, por isso considera sem sentido a discussão sobre sua viabilidade ou não. "A diferença de custo é zero. É nenhum", afirmou. O diretor da ANTT disse que essas são "críticas fáceis de quem nunca estudou o projeto".

O secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Jurandir Fernandes, disse que, há 30 anos, quando se discutia a construção da rodovia dos Bandeirantes, que liga a capital paulista ao interior do Estado, a obra era classificada como "faraônica", do mesmo modo que muitos consideram hoje o projeto do trem-bala. "Naquela época era um projeto de três pistas. Hoje temos cinco pistas na Bandeirantes e já está difícil", afirmou.

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