Perdigão prevê retomada de exportações no 2º semestre

Em teleconferência, executivos da companhia não comentam negociações para incorporar a rival Sadia

Natalia Gómez, da Agência Estado,

15 de maio de 2009 | 14h29

Depois de um primeiro trimestre difícil no mercado externo, com quedas nos preços médios, a Perdigão prevê uma retomada das exportações no segundo semestre. Segundo o diretor financeiro e de Relações com Investidores, Leonardo Saboya, os preços e volumes começaram a reagir em fevereiro e março. "Não é uma retomada linear em todos os mercados, mas o fundo do poço já foi atingido", disse, em teleconferência com analistas.

 

A companhia não fez nenhum comentário sobre a negociação para incorporar a Sadia. O presidente José Antônio Fay reiterou apenas o comunicado divulgado no último dia 12, segundo o qual nenhum acordo foi fechado até o momento.

 

Segundo Saboya, no final de 2008 e no início de 2009 a Perdigão foi forçada a conceder descontos para vendas já embarcadas para manter o fluxo de exportações. "Atualmente, o mercado global de proteínas está mais equilibrado", disse. Ele destacou que os estoques dos mercados consumidores diminuiu, assim como os estoques dos principais exportadores de carnes. "A lição de casa foi feita e os principais países produtores, como Brasil e Estados Unidos cortaram produção", afirmou.

 

O abate de aves da companhia no primeiro trimestre caiu 15%, para 181,5 milhões de cabeças. Apesar do otimismo, o executivo destacou que não é possível prever se a melhora dos mercados é definitiva.

 

Fay afirmou nesta sexta que a maior parte dos ajustes de produção necessários para adequar a oferta da Perdigão à demanda mais fraca já foi realizada no primeiro trimestre. No período, a empresa teve de quebrar ovos para reduzir a oferta de aves e conceder férias coletivas em suas unidades.

 

De acordo com o executivo, os custos extras causados pelos ajustes de produção somaram cerca de R$ 80 milhões no trimestre. Nos próximos meses, o corte ficará restrito ao segmento de perus, que tem o ciclo de vida mais longo e ainda não teve os ajustes necessários, conforme o presidente da companhia.

 

A região mais problemática para a Perdigão atualmente é a Europa, especialmente no segmento de perus. No Oriente Médio, no Japão, Hong Kong e Cingapura a companhia está registrando recuperação. Na Eurásia, a demanda por carne suína deve ser normalizada em três meses, segundo Saboya. Ele ressaltou que a doença influenza A, conhecida como gripe suína, teve um efeito "praticamente neutro" nas exportações da empresa até o momento.

 

Financiamento

 

A Perdigão informou que pretende obter um financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para capital de giro. Em abril, o governo federal anunciou o lançamento de um pacote de ajuda à agroindústria, com a criação de uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para o setor melhorar seu capital de giro. "A companhia pretende usar esta linha", disse Fay. Segundo ele, a Perdigão está trabalhando para captar estes recursos.

 

Saboya disse que a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) da companhia não está em um nível "desejável ou adequado". Sua dívida líquida era de R$ 3,6 bilhões no final do trimestre, ante Ebitda anual de R$ 1,159 bilhão no ano passado, o que representa uma alavancagem de 3,1 vezes.

 

No primeiro trimestre, o Ebitda foi de R$ 117,8 milhões. Mesmo assim, ele acredita que o aumento da dívida foi "suave" quando se leva em conta o cenário de crise mundial. No final de 2008, a dívida líquida era de R$ 3,4 bilhões; no primeiro trimestre do ano passado, a dívida era de R$ 2,3 bilhões.

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