Perspectiva da economia dos EUA é mais fraca, mas positiva

Avaliação é do presidente do Fed de St. Louis, que sugeriu medidas modestas do BC norte-americano

Renato Martins, da Agência Estado,

19 de agosto de 2010 | 14h24

O presidente do Federal Reserve Bank de St. Louis, James Bullard, disse que a perspectiva da economia norte-americana enfraqueceu e o núcleo da inflação está mais baixo, mas ressalvou que ambos estão em níveis administráveis. Ele advertiu o Fed a não se apressar na adoção de novos estímulos monetários.

Falando durante uma conferência em Rogers (Arkansas), Bullard sugeriu que as medidas modestas anunciadas pelo Fed na semana passada devem ser suficientes no momento. No mês passado, ele escreveu um artigo dizendo que o Fed deveria focalizar novas compras de ativos, ao invés da política de taxas de juros, de modo a evitar uma "armadilha de deflação" como aquela que tem afetado o Japão há cerca de uma década.

Hoje, ele disse que qualquer medida adicional de "afrouxamento quantitativo" da política monetária pelo Fed deverá ser uma reação disciplinada à intensificação dos riscos de desinflação para além do ambiente "administrável" de inflação baixa. "Compras grandes e repentinas raramente são ótimas. 'Choque e espanto' quase nunca é uma boa maneira de proceder", afirmou Bullard.

No sistema de rodízio entre os presidentes de distritos do Fed, Bullard está entre os integrantes do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) com direito a voto nas reuniões de política monetária deste ano. Segundo ele, a decisão anunciada na semana, de usar os recursos obtidos no vencimento de títulos hipotecários para comprar títulos do Tesouro dos EUA, mantendo o balanço patrimonial do Fed estável em US$ 2,05 trilhões, foi suficiente e a instituição deve esperar antes de tomar alguma medida dramática que fizesse crescer o balanço patrimonial do Fed. Apesar disso, Bullard exortou seus colegas a focalizar maneiras e evitar que a inflação norte-americana passe a se parecer com uma "armadilha de deflação" no estilo japonês.

"Medidas de política monetária devem ser proporcionais aos riscos que a economia enfrenta. Uma série de medidas menores pode ser equivalente a uma medida grande, mas só se os indicadores sugerem que essa é a direção apropriada. O tamanho das compras de ativos deve ser proporcional ao tamanho de qualquer deterioração na perspectiva", disse Bullard.

Ele também afirmou que "um objetivo chave do programa deve ser o de impedir que o núcleo da inflação nos EUA caia para níveis próximos aos observados no Japão". Ele destacou que a crise da dívida soberana de alguns países da zona do euro "diminuiu bastante, mas continua a ser um fator no mix da economia global". As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
FedEUAeconomiarecuperaçãoatividade

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.