Perspectiva para cinco maiores bancos da Itália se deteriorou, diz Fitch

No fim de junho, as cinco instituições juntas tinham umaexposição de 710 bilhões de euros à dívida do governo italiano

Álvaro Campos e Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

20 de outubro de 2011 | 14h09

A agência de classificação de risco Fitch publicou um relatório nesta quinta-feira, 20, afirmando que suas previsões para os bancos da Itália são negativas. As projeções para os cinco maiores bancos italianos se deteriorou significativamente nos últimos meses. Além disso, com as incertezas sobre a resolução da crise na zona do euro, aumentam as pressões sobre essas instituições, cujos custos de financiamentos estão ligados aos spreads sobre as dívidas do governo.

Os bancos considerados no relatório da Fitch são Banco Popolare, UniCredit, Intensa Sanpaolo, Banca Monte dei Paschi di Siena e Unione di Banche Italiane (UBI Banca). Segundo a Fitch, um fator essencial para que as perspectivas para os bancos sejam elevadas para estável é uma melhora significativa na rentabilidade operacional. Na opinião da agência, isso exigira uma normalização dos custos de financiamento para níveis sustentáveis e melhorias no desempenho da economia doméstica.

Mas como os gastos com a deterioração de empréstimos não devem recuar acentuadamente no curto prazo, os contínuos esforços para reduzir os custos de financiamento devem ajudar os bancos a melhorarem a rentabilidade operacional.

A agência considera que essas instituições conseguirão levantar fundos suficientes - mesmo em meio a difíceis situações de mercado - com a emissão de bônus por suas diversas unidades. Mas, se os financiamentos continuarem nos elevados níveis em que estão, será difícil para esses bancos conseguirem repassar esses custos por meio do aumento dos preços de empréstimos e serviços.

A exposição desses bancos à dívida do governo da Itália é limitada, mas significativa. No fim de junho, as cinco instituições juntas tinham uma exposição de 710 bilhões de euros. A exposição a dívidas soberanas de outros países da periferia da Europa permanece limitada, em 5,2 bilhões de euros.

A Fitch rebaixou três dos cinco maiores bancos italianos em outubro, após o rebaixamento do rating soberano do país. Outro foi colocado em revisão para possível rebaixamento. Todos eles têm perspectiva negativa.

Nota da Bélgica é mantida

A agência de classificação de risco Fitch reiterou o rating de longo prazo da Bélgica, atualmente em AA+ com perspectiva negativa, após uma revisão decorrente da reestruturação do Dexia, banco que precisou ser auxiliado pelos governos belga e francês.

Segundo a Fitch, a Bélgica comprará uma das unidades do Dexia por € 4 bilhões - ou 1,1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) - e oferecerá ao banco um total de € 54,5 bilhões em garantias contra potenciais perdas com ativos considerados tóxicos.

"Os riscos ao rating da Bélgica continuam, principalmente com o agravamento da crise da zona do euro e com os compromissos assumidos pelo país no contexto da reestruturação do Dexia", disse Maria Malas-Mroueh, diretora no grupo de soberanos da Fitch. Ela acrescentou, no entanto, que a nota belga recebe suporte da possibilidade de a meta de redução do déficit deste ano ser cumprida e dos sinais de que um novo governo estaria em formação após 18 meses de impasses políticos. 

As informações são da Dow Jones.

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