Pesquisa indica que 97% dos brasileiros tomam café

Consumo da bebida pela classe C saltou de 37% para 42% no período entre 2003 e 2009

Tomas Okuda, da Agência Estado,

24 de março de 2010 | 14h38

Pesquisa encomendada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) confirma que o café é uma das bebidas preferidas da população brasileira e que os índices de consumo estão se consolidando. Segundo o estudo divulgado nesta quarta-feira, 24, no ano passado 97% dos entrevistados - homens e mulheres com mais de 15 anos de idade - declararam que haviam consumido café no dia da pesquisa e também no anterior, mesmo porcentual registrado em 2008. Há sete anos, porém, esse índice era de 91%.

 

O diretor executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, avaliou o crescimento como consistente. "Estamos perto de 100% e a questão é como continuar a crescer", informou. A solução adotada pelo setor tem sido estimular a frequência de consumo, com resultados positivos. Entre 2008 e 2009, o porcentual de entrevistados que bebia uma xícara todos os dias passou de 77% para 85% (aumento de 10%).

 

Nathan comentou que o consumo de café cresce em todas as classes sociais, sobretudo na classe C, que recebe de 4 a 10 salários mínimos. No período de 2003 a 2009, a participação da classe C no consumo total saltou 14%, de 37% para 42%. Essa parcela da população também está tomando mais café fora de casa, avançando de 14% para 48%, com elevação de 242%, como influência da maior oferta do produto em cafeterias, restaurantes e hotéis.

 

Preferência

 

No que se refere ao tipo de café consumido, a pesquisa mostra que o brasileiro continua fortemente adepto da bebida coada/filtrada (93% em casa e 96% fora do lar). No entanto, Nathan observou que tem aumentado o consumo de grãos especiais, de melhor qualidade, embora a participação desse tipo de grão no total ainda seja pequena. Em 2008, o consumo de variedades gourmet em casa era de 1,2% do total; em 2009 passou para 2,7%.

 

Conforme a pesquisa, o interesse pelos grãos especiais está difundido em todas as classes sociais, "sinalizando que o consumidor está em busca de qualidade, independentemente da renda". Em contrapartida, o café instantâneo (solúvel) tem perdido espaço, principalmente nas classes A e B. Isso torna questionável o argumento da praticidade do solúvel. "Com as máquinas automáticas, é só apertar um botão que você tem um espresso", disse Nathan.

 

Outro ponto destacado no estudo é que as mulheres (54%) estão consumindo mais café do que os homens (46%). Entre outras justificativas, está o fato de a população feminina ser maior no Brasil. Mas também deve-se considerar que parte das consumidoras está no lar, ou participa do mercado de trabalho, onde passa a consumir a bebida. Segundo Nathan, essa é uma característica do mercado brasileiro e cabe "à indústria direcionar produtos e estratégias para o segmento".

 

A pesquisa "Tendência do Consumo de Café - 2009" é realizada anualmente pela Abic desde 2003. O trabalho é coordenado pela Consultoria Ivani Rossi e foi realizado de 10 a 20 de janeiro com 1.703 pessoas. O consumo de café no Brasil alcançou 18,4 milhões de sacas de 60 kg em 2009. A Abic projeta crescimento de 5% este ano, ou cerca de 1 milhão de sacas. "A estratégia é oferecer produtos diferenciados, estimulando o consumo de grãos de qualidade, com maior valor agregado", afirmou.

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