Petrobrás adia mais uma vez a divulgação do balanço do 3º trimestre

Segundo a estatal, decisão deve-se aos novos fatos relacionados à Operação Lava Jato, que investiga casos de corrupção na petroleira; ações caíram 6% nesta sexta e atingiram o menor valor desde 2005

André Magnabosco e Mônica Ciarelli, Agência Estado

12 Dezembro 2014 | 21h15

Atualizado às 22h

A Petrobrás decidiu adiar mais uma vez a divulgação do seu balanço não auditado do terceiro trimestre, conforme antecipou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Agora, esses números não analisados, que estavam previstos para esta sexta, deverão ser divulgados até 31 de janeiro do próximo ano. O fato relevante foi divulgado depois de o conselho de administração da estatal ter se reunido em São Paulo por cerca de 12 horas.

Segundo a nota, o adiamento se deve aos novos fatos ocorridos após o dia 13 de novembro de 2014, relacionados, direta ou indiretamente, à Operação Lava Jato, da Polícia Federal - que investiga as denúncias de corrupção na estatal. O balanço auditado da companhia deveria ter sido divulgado até o último dia 14 de novembro, mas a PriceWaterhouseCoopers (PwC) se recusou a assiná-lo por conta das denúncias de irregularidades.

Em meio às expectativas para a divulgação do balanço, a ação PN da Petrobrás recuou 6,56% nesta sexta, para R$ 10,11, a menor cotação desde 5 de agosto de 2005, quando o papel fechou em R$ 9,97. Já a ação ON perdeu 5,78%, indo a R$ 9,46, o menor valor desde 20 de janeiro de 2005, quando fechou em R$ 9,42.

O Ibovespa acompanhou. Recuou 3,73%, quase perdendo os 48 mil pontos, encerrando aos 48.001,98 pontos. Nesta semana, o índice caiu em quatro das cinco sessões, acumulando no período uma retração de 7,67%. 

Indicadores operacionais. A estatal, no entanto, divulgou nesta noite indicadores operacionais e algumas informações econômico-financeiras que, segundo a empresa, não seriam afetadas pelos ajustes decorrentes da Lava Jato.

Dentre as informações, está a receita com vendas, que atingiu R$ 88,378 bilhões. Este resultado representa um novo recorde histórico da companhia, superando em 7,4% os R$ 82,298 bilhões acumulados no segundo trimestre deste ano. É, também, 13,7% maior do que os R$ 77,700 bilhões acumulados entre julho e setembro. 

A média das projeções de sete casas consultadas pelo Broadcast (Bradesco Corretora, Itaú BBA, JPMorgan, Morgan Stanley, Santander, UBS e Votorantim Corretora) indicava que a receita do trimestre seria de R$ 85,823 bilhões.

A companhia informou, em um breve documento de oito páginas, que o aumento da receita na comparação entre terceiro e segundo trimestres deste ano decorre das maiores exportações de petróleo. Além disso, o aumento da demanda no mercado interno, principalmente do diesel, contribuiu para os números do terceiro trimestre. A favor da companhia, no mesmo período, pesaram o aumento da produção de petróleo e de derivados no Brasil.

Já o nível de endividamento da estatal continuou a crescer no terceiro trimestre. A dívida bruta aumentou 7,8% em relação ao fechamento do segundo trimestre e fechou setembro em R$ 331,7 bilhões. 

A dívida líquida, por sua vez, oscilou 8,3% no período e chegou a R$ 261,4 bilhões. A Petrobrás não divulgou detalhes sobre os indicadores de alavancagem, uma vez que não publicou informações sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês).

O volume de recursos em caixa da estatal ficou em R$ 70,3 bilhões no fechamento do terceiro trimestre, uma expansão de 5,9% sobre o fechamento do segundo trimestre.

A companhia também informou que o fluxo de caixa líquido do terceiro trimestre ficou positivo em R$ 4,249 bilhões. O número contrasta com os fluxos negativos de R$ 5,232 bilhões do terceiro trimestre de 2013 e de R$ 2,625 bilhões do segundo trimestre deste ano. 

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