Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Petrobrás corta 37% dos investimentos em novo plano de negócios

Com a redução, investimentos entre 2015 e 2019 irão somar US$ 130,3 bilhões; companhia também anunciou que irá vender US$ 15,1 bilhões em ativos

Luana Pavani, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2015 | 10h21

SÃO PAULO - O plano de negócios e gestão 2015 - 2019 da Petrobrás, aprovado na última sexta-feira, 26, prevê investimentos de US$ 130,3 bilhões, o que segundo a empresa significa redução de 37% quando comparado ao plano anterior. Do atual montante, a área de Exploração e Produção responde por 83%, Abastecimento por outros 10%, Gás e Energia, 5%, e demais áreas, 2%.

O plano, segundo a Petrobrás, tem como objetivos fundamentais a desalavancagem da companhia e a geração de valor para os acionistas. Entretanto, o documento divulgado ao mercado não detalha quais são os ativos que a estatal pretende se desfazer.

O documento diz que o montante de desinvestimentos (venda de ativos) em 2015/2016 foi revisado para US$ 15,1 bilhões, dos quais 30% na Exploração e Produção, 30% no Abastecimento e 40% no Gás e Energia. Há ainda esforços em reestruturação de negócios, desmobilização de ativos e desinvestimentos adicionais, totalizando US$ 42,6 bilhões em 2017/2018.

Voltando aos investimentos a carteira prioriza projetos de E&P, com ênfase no pré-sal, diz a Petrobrás, e nas demais áreas destinam-se, basicamente, à manutenção das operações e a projetos relacionados ao escoamento da produção de petróleo e gás natural.

Na área de E&P, 86% serão alocados para desenvolvimento da produção, 11% para exploração e 3% para suporte operacional. Ainda conforme o documento, US$ 64,4 bilhões irão para novos sistemas de produção no Brasil, dos quais 91% no pré-sal.

No Abastecimento serão investidos US$ 12,8 bilhões, sendo 69% em manutenção e infraestrutura, 11% na conclusão das obras da Refinaria Abreu e Lima, 10% na Distribuição. Os demais 10% incluem investimentos no Comperj para recepção e tratamento de gás, manutenção de equipamentos, dentre outros. Por fim, a área de Gás e Energia recebe US$ 6,3 bilhões, com destaque para os gasodutos de escoamento do gás do pré-sal e suas respectivas unidades de processamento (UPGNs). 

Alavancagem. O plano de negócios e gestão 2015-2019 da Petrobrás prevê o retorno da alavancagem à meta de alavancagem líquida inferior a 40% até 2018 e a 35% até 2020, e a razão de endividamento líquido/Ebitda inferior a 3,0x até 2018 e a 2,5x até 2020.

Produção. A companhia atualizou as metas de produção de óleo, LGN (líquido de gás natural) e gás natural no Brasil, o que segundo o documento reflete "postergação de projetos de menor maturidade ou atraso na entrega das unidades de produção, principalmente em função de limitações de fornecedores no Brasil". A previsão é de alcançar uma produção total de óleo e gás, no Brasil e exterior, de 3,7 milhões de boed em 2020, ano em que o pré-sal deverá representar mais de 50% da produção total de óleo.

O alcance das metas de produção em um cenário de dificuldades com fornecedores no Brasil é citado como um dos fatores de risco a que a Petrobrás está sujeita e que podem impactar suas projeções de fluxo de caixa. Os demais exemplos citados pela companhia são variáveis de mercado, como preço do petróleo e taxa de câmbio; e operações de desinvestimentos e reestruturações, sujeitas às condições de mercado vigentes à época das transações.

O documento a respeito do plano, disponível na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), assinado pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores Ivan de Souza Monteiro, informa ainda que estão previstos medidas de otimização e ganhos de produtividade para reduzir os gastos operacionais gerenciáveis (custos e despesas totais, excluindo-se a aquisição de matérias-primas). "Ações já identificadas demonstram que esse resultado pode ser alcançado por meio de maior eficiência na gestão de serviços contratados, racionalização das estruturas e reorganização dos negócios, otimização dos custos de pessoal e redução nos dispêndios de suprimento de insumos", diz, sem mais detalhes. 

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