Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Petrobras aprova venda de até 100% das ações da Braskem em oferta pública

Operação, informada à Comissão de Valores Mobiliários, será conduzida em conjunto com Novonor (ex-Odebrecht) e NSP Investimentos

Beth Moreira e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2021 | 09h22

O conselho de administração da Petrobras aprovou a venda de até 100% das ações preferenciais que detém na petroquímica Braskem, a ser conduzido por meio de oferta pública secundária de ações (follow on), em conjunto com a Novonor (ex-Odebrecht) e a NSP Investimentos, ambas em recuperação judicial. A venda da Braskem é uma intenção que se arrasta há cerca de quatro anos e que enfrentou uma série de complicações desde então.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal informa que celebrou um termo com a Novonor que, além de garantir o compromisso com a oferta, estabelece diretrizes com o objetivo de migração da Braskem para o Novo Mercado, nível mais elevado de governança corporativa da B3, a Bolsa brasileira.

Petrobras e Novonor manifestam o interesse de, após a migração para o Novo Mercado, realizar a venda de suas respectivas participações societárias remanescentes na Braskem. 

Segundo a empresa, todos os atos necessários para realização da oferta estarão sujeitos à aprovação dos órgãos internos da Petrobras. "Esta operação está alinhada à gestão do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando à maximização de valor e maior retorno à sociedade", disse a Petrobras. Ontem, a companhia anunciou que se desfez de US$ 4,8 bilhões em ativos não essenciais ao longo do ano de 2021.

Uma venda cheia de problemas

A decisão da Petrobras de vender ações via Bolsa vem depois de uma série de problemas que inviabilizaram outras alternativas. Em 2019, a Odebrecht chegou perto de vender sua fatia na Braskem à holandesa LyondellBasell, mas a negociação foi suspensa após 16 meses, com o aumento da insegurança jurídica em torno da Odebrecht, na esteira da Operação Lava Jato.

Além disso, a Braskem atrasou a entrega de documentos à Securities and Exchange Commission (SEC) – a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos – e enfrentou problemas com a exploração de sal-gema em Maceió, que causou prejuízos a um bairro inteiro da cidade. À época, o entendimento era de que a conta do problema era difícil de ser calculada.

Na B3, a Braskem tem hoje valor de mercado de mais de R$ 42 bilhões. Dado o grande volume financeiro envolvido no "desembarque" de Novonor e Petrobras do negócio, a expectativa é de que a venda seja feita aos poucos, com a primeira oferta realizada já no primeiro trimestre de 2022. 

A Novonor, ex-Odebrecht, também está disposta a vender sua fatia por meio de uma oferta de ações na Bolsa. Dona do controle da empresa, com 50,1% do capital votante e 38,3 do capital total, a empresa aceitou vender o controle mesmo sem receber um prêmio por isso – algo que poderia ocorrer caso a venda fosse feita no mercado privado, para um fundo ou outra empresa do mesmo setor. 

No entanto, o banco Morgan Stanley, que passou mais de um ano procurando interessados no ativo, esbarrou na falta de interesse de potenciais interessados em todos os ativos da empresa.  Foi colocada na mesa, conforme fontes, a possibilidade de fatiamento da companhia, algo que acabou sendo entendido como muito complexo – e a decisão foi de seguir com a oferta de ações.

Braskem tem clientes em 85 países; veja perfil da empresa

  • Gigante do setor:

Criada em 2002, a Braskem atua na primeira (petroquímicos básicos) e na segunda geração (resinas como polietileno, polipropileno, PVC e PET) do segmento. É a única petroquímica integrada do Brasil.

  • Presença global:

A companhia tem unidades no Brasil, nos EUA, na Alemanha e no México, com escritório nas Américas, na Europa e na Ásia que atendem clientes em 85 países.

  • Recuperação:

O lucro líquido da empresa no terceiro trimestre de 2021 atingiu R$ 3,5 bilhões, acumulando resultado de R$ 13,4 bilhões nos primeiros nove meses do ano. No mesmo período de 2020, o prejuízo foi de R$ 7,5 bilhões.

  • Liderança:

A fatia de mercado da Braskem no mercado nacional de resinas atingiu 64% em setembro, 12 pontos acima do registrado em junho.

  • Problemas em Maceió:

Os problemas na exploração de sal-gema em Maceió geraram uma programa de compensação a moradores, que pode custar mais de R$ 7 bilhões para a empresa.

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