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Petrobrás atinge, em um dia, mais de 20% da meta de desinvestimentos

Principal negócio foi a venda ao BTG de 50% de empresa na África por US$ 1,5 bilhão

Irany Tereza, Wellington Bahnemann e Eulina Oliveira, da Agência Estado,

14 de junho de 2013 | 20h32

A Petrobrás anunciou nesta sexta-feira a venda de US$ 2,17 bilhões em ativos e atingiu, em apenas um dia, mais de 20% da meta de desinvestimentos fixada para o período de 2013-2017. O principal negócio foi a formação de uma joint venture entre o banco BTG Pactual e a Petrobrás Internacional Braspetro, para exploração e produção de óleo e gás na África.

O BTG, do empresário André Esteves, pagou à estatal US$ 1,525 bilhão pela aquisição de 50% da Petrobrás Oil & Gas, que reúne os ativos da estatal na África, mas não foram informados os blocos exploratórios ou produtores envolvidos na negociação. Atualmente, a Petrobrás só produz petróleo na Nigéria.

No comunicado divulgado ao mercado, a estatal informou que, uma vez concluída a reorganização societária, a operação envolverá as sucursais em Angola, Benin, Gabão e Namíbia, assim como as subsidiárias Brasoil Oil Services Company (Nigeria) Ltd., Petroleo Brasileiro Nigeria Ltd. e Petrobrás Tanzania Ltd.

O negócio já estava fechado desde o início do mês, mas foi referendado nesta sexta em reunião do Conselho de Administração, presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A previsão é de conclusão do negócio no fim de junho.

As empresas fizeram declarações apenas por meio de notas. "A operação representa um passo importante para a Petrobrás (...)permitindo a ampliação de sua atuação na África e o compartilhamento dos investimentos requeridos para expansão e desenvolvimento de suas reservas", afirmou a estatal.

"Para o BTG Pactual, a operação representa um passo na geração de oportunidades de investimento no continente africano e no segmento de óleo e gás (...) assim como também manifesta a contínua expansão e diversificação do portfólio de produtos disponíveis para seus clientes", informou o banco.

Foco no pré-sal. A intenção da Petrobrás é reunir recursos financeiros para concentrar esforços na exploração e produção no pré-sal brasileiro. Em abril, a estatal já havia anunciado a venda de participações em blocos exploratórios no Golfo do México, nos Estados Unidos, por US$ 110 milhões.

Esteves, que este ano fechou parceria com o grupo EBX de Eike Batista, tem também um braço na OGX, mas as companhias não responderam a questionamentos sobre uma eventual associação entre Petrobrás e OGX na África.

A Petrobrás anunciou nesta sexta também a venda de sua fatia de 49% na Brasil PCH para a Cemig, por R$ 650 milhões. A operação também faz parte da estratégia da Petrobrás de reforçar o caixa para financiar o seu Plano de Negócios 2013-2017, que prevê investimentos totais de US$ 236,7 bilhões.

A intenção da estatal de se desfazer da participação na Brasil PCH foi antecipada em reportagem publicada pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, em março passado. Na época da divulgação do plano de negócios, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, havia dito que a companhia tinha interesse em vender os ativos que não tinham sinergia com o seu portfólio.

Na ocasião, a executiva chegou a dizer que, embora rentáveis, as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) eram ativos menos estratégicos da estatal, indicando a intenção de venda. A Brasil PCH apurou um lucro líquido de R$ 59,2 milhões no ano passado, valor irrelevante nos resultados da Petrobrás.

A Brasil PCH opera 13 usinas nos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás, que somam capacidade instalada de 291,52 MW. O principal atrativo da companhia são os contratos de venda de energia no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) por 20 anos, cujos preços são mais elevados que os praticados atualmente pelo governo federal nos leilões de energia nova. 

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