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Petrobrás Biocombustível e Guarani vão produzir etanol em Moçambique

Empresas, que já têm uma usina de açúcar no país africano, assinaram nesta quarta acordo com a estatal Petróleo de Moçambique

Eduardo Magossi, de O Estado de S. Paulo,

14 de dezembro de 2011 | 23h00

SÃO PAULO - A Petrobrás Biocombustível e a Guarani, grupo sucroalcooleiro controlado pela Tereos Internacional, vão produzir etanol em Moçambique. As duas empresas assinaram nesta quarta-feira, 14, com a estatal Petróleos de Moçambique (Petromoc) um protocolo de intenções para produzir e comercializar etanol feito com melaço de cana.

A Guarani e a Petrobrás Biocombustível já são sócias de uma usina em Moçambique, a Companhia de Sena, com moagem de 1,2 milhão de toneladas de cana por ano. A usina, contudo, produz apenas açúcar.

O presidente da Guarani, Jacyr Costa Filho, explica que a destilaria de etanol será construída ao lado da usina já existente, aproveitando o melaço, atualmente vendido para produção de ração animal. Costa prevê que o protocolo de intenções será rapidamente transformado em parceria, em função da grande necessidade de combustíveis. "Moçambique importa 100% do petróleo que consome, o que afeta duramente suas divisas."

O executivo comparou Moçambique ao Brasil dos anos 80, quando a produção de etanol se intensificou em função da necessidade do País de reduzir suas importações de petróleo. "Existe um grande empenho do governo de Moçambique em implementar uma mistura obrigatória de 10% de etanol na gasolina para reduzir a dependência das importações", disse.

Além da Guarani, a África também está atraindo outros grupos brasileiros para produção de açúcar e etanol, em função principalmente de seu clima, benéfico para a planta, e do grande mercado consumidor regional. A Odebrecht possui uma usina em Angola, em parceria com companhias locais, que deverá ser encampada pela ETH, o braço sucroalcooleiro do grupo. No caso da Guarani, a presença na África também cria acesso privilegiado ao mercado regulado europeu.

Na safra atual, a Companhia de Sena, localizada na cidade de Marromeu, produziu 67 mil toneladas de açúcar, devendo atingir 75 mil toneladas em 2012/13. O protocolo de intenções prevê que o etanol será do melaço, um subproduto do açúcar. A estratégia é produzir o biocombustível sem afetar o crescimento da oferta de açúcar, produto em que Moçambique também é dependente de importação.

Aquisições. O executivo disse também que a Guarani tem um capital disponível de R$ 1,1 bilhão para realizar aquisições nas próximas duas safras. O objetivo é chegar em 2014/15 com uma capacidade de moagem de cana-de-açúcar de 24 milhões de toneladas. Na safra atual, foram processadas 16,3 milhões de toneladas.

Deste total, R$ 800 milhões referem-se ao capital da Petrobrás Biocombustível que ainda não foi integralizado na Guarani. A Petrobrás Biocombustível tem 31,4% de participação na Guarani, fatia que deve crescer para 45,7% quando o total de recursos for investido. Os outros R$ 300 milhões são de recursos da Tereos Internacional.

Segundo Costa, o crescimento não virá só de aquisições. Ele afirma que, até a safra 2014/15, das sete usinas atuais do grupo, três terão moagem acima de 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, enquanto seis usinas terão cogeração de energia.

Costa prevê ainda um aumento do movimento de consolidação do setor em 2012. Segundo ele, a quebra da atual safra vai demandar elevados investimentos em recuperação, e que muitas usinas não terão condições de fazer. "Elas precisarão de recursos em um momento em que o crédito continua restrito."

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