Petrobras, Braskem e Unipar consolidam petroquímica no Brasil

Petrobras, Braskem eUnipar definiram nesta sexta-feira, com um complexo processo demovimentação de ativos, a consolidação de todo o setorpetroquímico brasileiro, que passará a contar em alguns mesescom duas grandes empresas onde a estatal terá participações. Em um segundo momento, o BNDES também poderá entrar naestrutura acionária de uma das companhias. O objetivo, segundo os agentes envolvidos, é aumentar aescala de produção em um segmento que por anos se viu impedidode crescer devido a um emaranhado societário que dificultava asdecisões. A Braskem, maior petroquímica da América Latina, ganhou aPetrobras como sócia minoritária relevante, com 25 por cento docapital total, e os ativos petroquímicos da região Sudeste,capitaneados pela Unipar, foram reunidos em uma empresa aindasem nome onde a Petrobras terá 40 por cento, e que deverá ter oseu capital aberto. A consolidação não incluiu, no primeiro momento, o ComplexoPetroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), ainda em fase deconstrução, e que será objeto de futura negociação, segundo opresidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. "Já tínhamos revisto a nossa estratégia há alguns anos. Osetor exige empresas de grande porte e maior integração de todaa cadeia fornecedora", afirmou Gabrielli a jornalistas. "Teremos 25 por cento da maior companhia petroquímica dopaís (Braskem) e 40 por cento da segunda maior", complementou,acrescentando que não teme problemas com órgãos de defesa daconcorrência. "Não tem conflilto. Não somos controladores denenhuma delas", afirmou. A participação da Unipar, de 60 por cento da nova empresa, assim como a fatia da Petrobras, poderão ser alteradas,explicou Gabrielli, se o Banco Nacional de DesenvolvimentoEconômico e Social (BNDES) exercer o direito de preferênciasobre sua participação na Riopol, empresa que ficou dentro danova companhia do Sudeste e que vai desaparecer com aintegração. O BNDES, por meio da BNDESPar, possui 16,7 por cento naRiopol, fabricante de polietilenos, e ficaria com 25 por centose o direito de preferência na operação de integração forexercido. Isto daria ao banco cerca de 6 por cento departicipação na nova companhia do Sudeste. "Se isso ocorrer, Petrobras e Unipar terão uma participaçãoum pouco menor, mas não existe risco de se somarem as ações doBNDES e da Petrobras e ter mais de 50 por cento. A empresafutura vai ser privada", garantiu Gabrielli. A nova companhia do Sudeste vai nascer com receita líquidade 6,1 bilhões de reais e lucro antes de juros, impostos,amortizações e depreciações, conhecida pela sigla em inglêsEbitda, de 900 milhões de reais. Já a parceria entre Petrobras e Braskem, que receberá osativos petroquímicos da Petrobras no Sul e Nordeste do país,terá receita líquida de 9,1 bilhões de dólares e Ebitda de 1,7bilhão de dólares, informou o executivo. De acordo com fato relevante nesta sexta-feira, a Petrobrase sua subsidiária Petroquisa estão transferindo suasparticipações na Copesul, na Ipiranga Petroquímica, na IpirangaQuímica, na Triunfo e na Petroquímica Paulínia, que serãointegradas pela Braskem. Como pagamento, a Petrobras receberá ações da Braskem,elevando sua posição no capital total da empresa de 6,8 porcento para 25 por cento, excluindo-se as ações em tesouraria. Afatia da estatal nas ações com direito a voto da Braskem sobede 8,1 por cento para 30 por cento. A Braskem, controlada pelo grupo Odebrecht, espera tersinergias de 1,15 bilhão de dólares como resultado daintegração dos ativos, em valor presente líquido. MAIS COMPETITIVAS "Essa etapa determinante do processo de consolidação dapetroquímica brasileira posiciona a Braskem como um competidordestacado na petroquímica global e com forte capacidade degeração de caixa, que vai permitir acelerar seus projetos decrescimento e de internacionalização", afirmou em comunicado opresidente da Braskem, José Carlos Grubisich. A conclusão da operação deverá ocorrer em até 6 meses eresultará na emissão de 103,4 milhões de novas ações daBraskem, sendo 46,9 milhões de ações ordinárias e 56,5 milhõesde ações preferenciais. Grubisich ressaltou a jornalistas a questão do ganho emcompetitividade, tanto por parte da Braskem como pela novacompanhia do Sudeste. "O projeto da Braskem não é de competir com a companhiapetroquímica do Sudeste aqui. Os nossos competidores eram econtinuam sendo ExxonMobil, Dow... porque a lógica do mercadopetroquímico hoje é uma lógica global", afirmou. José Lima de Andrade Neto, presidente da Petroquisa,subsidiária da Petrobrás, disse que havia chegado o momento damudança no setor. "A petroquímica brasileira passou por um processo defragmentação. Teve sua lógica, teve sua importânciahistórica... mas a fragmentação não condiz mais com o cenárioatual da indústria", disse Andrade Neto. A finalização da integração no Sudeste deverá demorar novemeses e envolve, além de trocas acionárias, a devolução de 700milhões de reais pela Unipar à Petrobras por conta do pagamentorealizado nesta sexta-feira de 2,1 bilhões de reais pela comprada Suzano Petroquímica pela estatal, no início do ano. Para formar a nova companhia, a Petrobras entrará com suaparticipação acionária na Suzano Petroquímica (97,3 milhões deações ordinárias e 75,2 milhões de preferenciais) e com aparticipação na Petroquímica União (PQU), detida por suasubsidiária Petroquisa (8,7 milhões de ações ordinárias e 8,7milhões de preferenciais). A Unipar vai contribuir para a nova sociedade com 380milhões de reais a serem utilizados na aquisição das seguintesparticipações na Riopol: 211,9 milhões ações ordinárias e 48preferenciais de titularidade da Petroquisa e 203,2 milhões deações ordinárias e 46 preferenciais de titularidade da Suzano. Ela também vai incluir suas participações na Rio Polímeros,na Petroquímica União, na Unipar Divisão Química e naPolietilenos União. (Colaboraram Marcelo Teixeira e Alice Assunção)

DENISE LUNA E CESAR BIANCONI, REUTERS

30 de novembro de 2007 | 16h24

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