Petrobras capta US$ 8,5 bilhões

Com uma demanda três vezes acima da oferta, mas também pagando prêmios bem mais altos do que no ano passado, a Petrobras voltou nesta segunda-feira, 10, ao mercado internacional com uma captação de US$ 8,5 bilhões, segundo fontes do setor bancário. Interessados em comprar os títulos da companhia somaram ofertas de mais de US$ 22 bilhões.

CYNTHIA DECLOEDT E SABRINA VALLE, Agencia Estado

10 de março de 2014 | 20h00

As ações da Petrobras reagiram mal no mercado diante da perspectiva de aumento do endividamento, que já é o maior entre as grandes petroleiras mundo e está bem acima dos limites considerados internamente na estatal como confortáveis. As ações ordinárias (ON) caíram 1,73% e as preferenciais (PN) 2,33%.

Com a emissão de hoje de bonds em dólar, a Petrobras encerra as captações em moedas tradicionais em 2014, já que apenas uma operação é feita em cada moeda por ano. Em janeiro, a Petrobras fechou uma captação em euro e em libra equivalente a quase 3,8 bilhões de euros, a maior que já havia sido feita no velho continente por uma companhia de país emergente.

A demanda de investidores na Europa em janeiro também ficou cerca de três vezes acima do montante captado. Na ocasião, o diretor Financeiro, Almir Barbassa, considerou o interesse um voto de confiança na empresa.

Em 2013, a empresa captou ao todo cerca de US$ 20 bilhões, sendo US$ 11 bilhões no mercado americano. As captações feitas neste ano em dólar, euro e libra somam cerca de US$ 13,5 bilhões, ainda menos do que no ano passado, mas acima dos US$ 12,1 bilhões que a companhia disse esperar, em média, de captação bruta até 2018.

Segundo o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura Adriano Pires, a emissão sinaliza que a Petrobras garantiu suas necessidades de capital mesmo sem reajustes de combustíveis no curto prazo."Até a Copa não tem chance de reajuste", disse.

No ano passado, portanto ainda sem contabilizar as duas emissões feitas neste ano, a Petrobras já havia estourado seus limites internos de alavancagem. O endividamento líquido sobre Ebitda estava em 3,52 vezes, bem acima do limite considerado confortável internamente, de 2,5 vezes. Já o endividamento líquido sobre captação líquida estava em 39%, contra os 35% máximos considerados ideais.

Um aumento excessivo do endividamento eleva as chances de que a estatal possa perder sua nota de "grau de investimento" concedida por agências internacionais de classificação de risco. A Petrobras considera que está emitindo dívida para investir em aumento da produção, o que no futuro aumentará o caixa da empresa, reduzindo o risco de calote e, portanto, melhorando sua avaliação de risco. A partir de 2014 a Petrobras já espera aumento de produção de petróleo e a previsão é que a estatal diminua significativamente as captações no mercado internacional até 2018.

Uma novidade na emissão de ontem foi a inclusão de um banco chinês entre as instituições que coordenaram a captação, indicando que a companhia apostou mais alto em investidores na China.

O valor de mercado (preço das ações multiplicado pelo total de papéis da empresa) da Petrobrás encerrou o pregão de ontem em R$ 165,764 bilhões, segundo dados da consultoria Economatica. É bem menos do que a empresa tem de dívida: R$ 267,8 bilhões no total, no dado de dezembro. Desde a capitalização da estatal, em setembro de 2010, o valor de mercado encolheu em R$ 197 bilhões, ou 54,3%. Em maio de 2008, na máxima histórica, a Petrobrás chegou a valer R$ 510,395 bilhões na Bolsa.

(Colaborou Vinícius Neder)

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