FABIO MOTTA/ESTADÃO
FABIO MOTTA/ESTADÃO

Petrobrás consegue financiamento de R$ 9,5 bi com BB, Caixa e Bradesco

Com os empréstimos dos bancos brasileiros e uma operação de US$ 3 bi com o britânico Standard Chartered, estatal diz ter garantido o caixa de 2015; consultor estranha a concessão de financiamentos antes da divulgação do balanço de 2014

Antonio Pita, Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2015 | 19h00

Atualizado às 21h55
Às vésperas de apresentar seu balanço financeiro, a Petrobrás anunciou nesta sexta-feira a contratação de R$ 9,5 bilhões em financiamentos com três bancos nacionais – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco. A estatal também firmou um acordo de cooperação com o britânico Standard Chartered, no valor de US$ 3 bilhões (R$ 9,2 bilhões), tendo como garantia a venda de plataformas. Segundo a estatal, os financiamentos aprovados de R$ 18,7 bilhões garantem os recursos necessários para a operação em 2015, mas alertou que ainda busca oportunidades para “antecipar as necessidades” do próximo ano.

A estatal já havia firmado, em março, financiamento com o Banco de Desenvolvimento da China (BDC), no valor de US$ 3,5 bilhões. Com os novos recursos, a Petrobrás já soma mais de R$ 29 bilhões em captações desde que a atual diretoria, comandada pelo presidente Aldemir Bendine, assumiu a empresa, em fevereiro. A gestão anterior, liderada por Graça Foster, descartava financiamentos em 2015. A corrida aos bancos revela a dimensão da fragilidade financeira da companhia, afetada pela alta do dólar no início do ano.

“Essas operações, somadas a outras já executadas neste ano, atendem às necessidades de financiamento da companhia para 2015. A Petrobrás continuará avaliando oportunidades de financiamento visando antecipar parte das necessidades de 2016”, disse a estatal, em comunicado distribuído ao mercado após o fechamento da Bolsa.

Pelo acordo, o BB financiará R$ 4,5 bilhões como “nota de crédito à exportação”, por meio da subsidiária BR Distribuidora. O financiamento terá prazo de seis anos. Já o financiamento da Caixa, no valor de R$ 2 bilhões, também foi “pré-aprovado” com prazo de cinco anos, segundo o comunicado. As mesmas condições valem para o Bradesco, com financiamento de R$ 3 bilhões.

O Estado antecipou, em fevereiro, que a cúpula da estatal negociava financiamento com a União, por meio dos bancos públicos, com condições que limitassem o impacto sobre a alavancagem (relação entre patrimônio e dívida).

“Fico impressionado com a coragem dos bancos nacionais ao assumir o risco de emprestar a uma empresa sem balanço auditado”, ironiza o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Pires lembra que, na última semana, o Bradesco fez indicações para vagas no conselho de administração da empresa, como representante de acionistas minoritários. “Chama a atenção que o empréstimo foi tomado dias antes do balanço. Com a divulgação, se esperaria que a Petrobrás conseguisse uma janela de crédito melhor, mas esse financiamento levanta desconfiança sobre os resultados, se serão positivos ou se os bancos já sabem os números”, avalia Pires.

Alavancagem. Já o banco britânico Standard Chartered fechou a operação mais “sui generis” do pacote anunciado nesta sexta-feira. O financiamento foi firmado no valor de US$ 3 bilhões, com prazo de dez anos. O “acordo de cooperação” prevê a operação de “venda com arrendamento” de plataformas de produção, com opção de recompra pela estatal.

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Gestão anterior da estatal, liderada por Graça Foster, descartava financiamentos em 2015
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313

Na prática, as unidades serão oferecidas como garantias ao financiamento, mas continuarão sendo utilizadas pela estatal, que após o prazo poderá reaver o ativo. “Esse financiamento e o acordo com o banco chinês não são empréstimos normais. Eles exigem contrapartida física da Petrobrás”, diz Pires.

A opção também indica a preocupação da diretoria financeira, liderada por Ivan Monteiro, com os indicadores de alavancagem (endividamento) – principal item de risco na saúde financeira da empresa, segundo as agências de rating.

A empresa declarou ter dívida líquida de R$ 262 bilhões, em novembro, que, com a desvalorização cambial, já estaria acima de R$ 360 bilhões. A pressão do dólar elevaria a alavancagem a 51%, segundo cálculos do CBIE, um nível histórico para a companhia. A taxa considerada adequada pela própria estatal seria de 35%.

Mais conteúdo sobre:
Petrobrásfinanciamentocrédito

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.