Sergio Moraes/ Reuters
Sergio Moraes/ Reuters

Conselho da Petrobras convoca reunião para tentar segurar preços dos combustíveis por mais tempo

Presidente Bolsonaro pressiona empresa para segurar preços, mas valores atuais estão defasados em relação a preços internacionais

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2022 | 14h14

RIO - O presidente do conselho de administração da Petrobras, Márcio Weber, convocou uma reunião extraordinária para a tarde desta quinta-feira, 16, surpreendendo a alta cúpula da empresa. 

Segundo fontes próximas ao assunto, o objetivo é tentar fazer com que a Petrobras segure os preços dos combustíveis por mais tempo, em um momento em que a inflação ameaça os planos de reeleição do presidente Jair Bolsonaro. A previsão era de que os aumentos acontecessem nesta semana.

O governo vem tentando convencer o presidente demissionário da Petrobras, José Mauro Coelho, a segurar os preços para que as novas regras sobre ICMS surtam algum efeito nas bombas dos postos de abastecimento. Se a empresa aumentar os preços, os possíveis benefícios do Projeto de Lei Complementar  18 (PLP 18), aprovado ontem no Congresso Nacional, seriam praticamente neutralizados.

Reuniões com essa finalidade foram realizadas esta semana entre o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida; e da Casa Civil, Ciro Nogueira, com o presidente da Petrobras. Além do congelamento de preços, foi pedido a Coelho que renuncie ao cargo, facilitando assim a entrada de Caio Paes de Andrade, atual secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, já indicado por Sachsida.

O presidente Jair Bolsonaro reclamou publicamente na quarta, 15, sobre a dificuldade de se trocar o presidente da Petrobras. "Estamos há um mês  tentando trocar o presidente da Petrobras e não conseguimos. Sachsida está tentando", declarou.

A decisão do reajuste dos combustíveis na Petrobras é tomada por Coelho; pelo diretor de Comercialização, Claudio Mastella; e pelo diretor Financeiro e de Relações com os Investidores, Rodrigo Araújo.

Com defasagem cada vez maior nos preços praticados nas refinarias da estatal, é grande a pressão do mercado para que a Petrobras alinhe a gasolina e o diesel aos preços internacionais. Ontem, a defasagem do diesel era de 18% em relação ao Golfo do México, após 36 dias sem reajuste, e a gasolina estava com uma diferença de 14% no seu 96º dia sem alteração, segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores e Combustíveis (Abicom).

Desde 2016, a empresa pratica a política de preços de paridade de importação (PPI), que significa manter os preços alinhados ao mercado internacional. O PPI leva em conta o preço do petróleo e o câmbio, que dispararam esta semana, e os custos de importação, também elevados na esteira da alta de preços.

Se a empresa não seguir essa política, outros importadores deixam de trazer combustível para o Brasil, porque não conseguem concorrer com os preços mais baixos da Petrobras no mercado interno. Sem as importações complementares - o Brasil produz entre 70% e 80% do diesel que consome e 97% da gasolina -, o abastecimento pode correr risco no segundo semestre do ano, quando é previsto aumento da demanda e aperto da oferta por conta da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

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