Petrobras critica 'timing' de mudança no rating pela S&P

A Petrobras criticou a recente alteração para pior de sua nota pela agência de classificação de riscos Standard & Poors, avaliando como inadequado o momento em que a mudança foi feita.

MARCELO TEIXEIRA, REUTERS

23 de junho de 2009 | 13h39

Em encontro com representantes da imprensa estrangeira, agendado pela estatal, o diretor financeiro, Almir Barbassa, afirmou que o volumoso plano de investimentos de 174 bilhões de dólares até 2013 está praticamente financiado, considerando o nível atual do petróleo.

"Se a ação da agência tivesse ocorrido pouco depois do lançamento do plano de investimentos até poderíamos aceitar, mas hoje não vemos razão para isso", disse Barbassa, acrescentando que a S&P utilizou um valor de 40 dólares para o barril de petróleo como base em sua reavaliação da nota da estatal, enquanto o preço atual gira perto dos 70 dólares.

"E hoje nós não temos indicação de que vai ocorrer uma redução do nível de preço do petróleo", afirmou o executivo.

A Standard & Poors reduziu no dia 10 de junho o nível de risco da dívida em moeda estrangeira da Petrobras de BBB para BBB-, citando o impacto no fluxo de caixa e o esforço de financiamento da estatal para os próximos cinco anos, em um cenário de preços menores do petróleo e derivados.

Apesar de manter a companhia brasileira em grau de investimento, a mudança devolveu a Petrobras ao patamar em que ela estava em maio do ano passado.

Na reunião, a Petrobras divulgou um documento onde informa que com base no nível atual de preços do petróleo não necessitaria de novos financiamentos para implementar todo o seu plano de investimentos de 2009 a 2013.

"Com um petróleo a 60 dólares, teríamos uma geração de caixa de 148 bilhões de dólares nesse período, ou seja, precisaríamos de mais 26 bilhões para os investimentos, mas já captamos 30 bilhões em 2009. A preços correntes, estamos financiados", afirmou Barbassa.

EMISSÕES

Neste ano, a Petrobras assegurou crédito de 12,5 bilhões de dólares com o BNDES e mais 6,5 bilhões de dólares de empréstimo-ponte com um pool de seis bancos, além de 2 bilhões de dólares com o EximBank dos EUA e 10 bilhões de dólares com o Banco de Desenvolvimento da China.

O empréstimo-ponte deverá ser rolado até o fim de 2010 com captações no mercado internacional, sendo que uma primeira tranche, de 1,5 bilhão de dólares, já foi realizada no início deste ano.

Assim, a estatal ainda precisa captar 5 bilhões de dólares até o final de 2010 para substituir o empréstimo-ponte. O pool de bancos formado por Banco do Brasil, Santander, HSBC, JP Morgan, Citi e Societe Generale possui mandato para realizar essas captações.

"Vamos emitir para pagar os bancos, mas ainda não temos data para as operações. Temos um ano e meio para levantar esses 5 bilhões e estamos avaliando os mercados em conjunto (com os bancos). Já temos registro na SEC e podemos emitir a qualquer momento", afirmou.

(Edição de Denise Luna)

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