Fabio Motta/Estadão - 11/4/2014
Fabio Motta/Estadão - 11/4/2014

Petrobrás decide hibernar fábricas de fertilizantes em Sergipe e na Bahia

Petrolífera disse em comunicado que a decisão está alinhada ao posicionamento estratégico de sair integralmente das atividades de produção de fertilizantes; processo consiste na parada progressiva da produção

Fabiana Holtz, O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 08h36

Sem perspectiva de reverter os prejuízos acumulados na operação das duas fábricas de fertilizantes que mantinha em operação em Sergipe e na Bahia, a Petrobrás resolveu desligar as máquinas e esperar que um comprador se interesse pelas duas unidades. A estatal anunciou nesta terça-feira, 20, a decisão de hibernar as fábricas, que geraram perdas de R$ 600 milhões e R$ 200 milhões, respectivamente, em 2017. Em comunicado ao mercado, a petrolífera diz que a decisão está alinhada ao posicionamento estratégico de sair integralmente das atividades de produção de fertilizantes, conforme seu Plano de Negócios e Gestão 2018-2022.

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"Precisamos que as duas fábricas de fertilizantes parem de dar prejuízo", disse o diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino, que participou nesta terça-feira, 20, de teleconferência com jornalistas para detalhar a operação.

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O principal motivo para que os resultados das duas unidades sejam negativos é a matéria-prima cara, segundo Celestino. A Petrobras utiliza gás natural importado, GNL, como insumo na produção de fertilizantes. "Os maiores produtores mundiais têm acesso a gás natural barato. Não é o nosso caso", acrescentou. Além disso, a distância do mercado consumidor pesa sobre o custo final de operação. Ainda assim, é possível que o negócio seja compatível com os interesses de outros investidores, disse o diretor.

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Celestino destacou que hoje é mais barato importar fertilizante do que produzir no Brasil. Do total consumido no País, 85% são importados. Com a venda das fábricas, a estatal manterá a decisão de deixar o negócio de fertilizantes, tomada em 2016, e não participará de importações. Juntas, as unidades da Bahia e Sergipe têm capacidade de 1,1 milhão de toneladas por ano e produziam de 700 mil a 800 mil toneladas por ano.

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As duas unidades foram incluídas no programa de desinvestimento da estatal, reiterou o executivo. "Deixamos os equipamentos prontos para operar caso apareça um comprador", disse, referindo-se ao termo hibernar, utilizado no fator relevante divulgado hoje ao mercado mais cedo sobre os planos para as fábricas de fertilizantes de Sergipe e Bahia. "O custo de hibernação é muito baixo", acrescentou. São cerca de R$ 300 mil por mês.

A Petrobrás ainda não recebeu oferta pelas duas unidades. Por enquanto, negocia apenas as fábricas instaladas no Mato Grosso do Sul e Paraná.

Mudanças. Os funcionários da fábrica de fertilizantes da Petrobrás em Sergipe estão preocupados com o que vem pela frente. Servidor da estatal há 20 anos, Joseval de Souza Vieira teme ser transferido para outra unidade, agora que já está bem estabelecido em Aracaju. “E se lá não der certo e eu for demitido?”

O Sindicato dos Petroleiros de Sergipe e Alagoas (Sindipetro SE/AL) marcou para esta quarta-feira, 21, uma manifestação em frente à unidade, no município de Laranjeiras, a 20 km da capital. “Não vamos ficar calados”, disse a técnica administrativa Márcia Bezerra, que também participará da mobilização do Sindipetro.

Segundo ela, dois gerentes estiveram ontem na fábrica para explicar que os funcionários poderiam ir para qualquer lugar do País que desejassem. “Nós não queremos, o nosso lugar é aqui. Sergipe sem a Petrobrás não é nada”, comentou.

De acordo com o Sindipetro, a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) gera milhares de empregos indiretos, por meio de fornecedores, prestadores de serviço, empresas que dão suporte à operação e, principalmente, das diversas fábricas de fertilizantes que estão instaladas na região para ter acesso mais fácil à matéria-prima. Com o fechamento da Fafen, empresas como Heringer e Fertinor, por exemplo, podem ir embora.

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