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Petrobrás deve anunciar corte de orçamento em novo plano de negócios

Para sinalizar mais transparência em seus indicadores, estatal deve detalhar nesta terça-feira a redução dos investimentos para o período de 2017 a 2021

Antonio Pita, Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2016 | 21h59

RIO - O conselho de administração da Petrobrás aprovou nesta segunda-feira, 19, o novo plano de negócios da companhia para os próximos cinco anos, de 2017 a 2021. Os detalhes da estratégia devem ser apresentados na terça-feira. A expectativa do mercado é de uma redução no volume de investimentos e na meta de produção, para sinalizar mais transparência nos indicadores da companhia e, principalmente, comprometimento com a redução da dívida. 

O último plano, divulgado em junho de 2015, previa investimentos de US$ 130 bilhões em cinco anos, sendo mais de 80% concentrados na área de exploração e produção. Os números, entretanto, foram revistos duas vezes, em função da queda das cotações de petróleo e da variação cambial do período. Na última revisão, a previsão era de investimentos anuais na faixa de US$ 20 bilhões – cerca de 30% a menos do que a previsão inicial.

No último dia 11, o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, antecipou as diretrizes do novo plano em entrevista ao Estado. Ele sinalizou que a redução de investimentos deverá ocorrer em linha com a melhoria da eficiência de gestão. O executivo afirmou também que a companhia manterá a “mesma intensidade” de desinvestimentos, sem afetar a curva de produção prevista para o período.

O plano anterior, elaborado sob a gestão de Aldemir Bendine, previa “desinvestimentos e reestruturações” de US$ 42,6 bilhões entre 2017 e 2018, mas não apresentava os projetos em reavaliação. Ao Estado, Parente sinalizou que “nenhum número ficaria sem explicação” no novo plano, que aposta nas parcerias na gestão de ativos.

Desde 2015, quando foram negociados US$ 4,6 bilhões. A companhia ainda deve confirmar até o fim do mês a venda de participação na Nova Transportadora Sudeste (NTS) por US$ 5,2 bilhões. A lista de ativos à venda pela petroleira inclui ainda Liquigás e BR Distribuidora.

Os desinvestimentos são apontados pelo presidente da estatal como a principal alternativa para reduzir a dívida, atualmente na faixa de US$ 120 bilhões. Hoje, para cada R$ 1 gerado pela companhia, há R$ 5 comprometidos com o pagamento da dívida. A meta é reduzir à metade o nível de comprometimento, chegando a R$ 2,50 de dívida para cada R$ 1 de caixa. 

Pelo modelo desenhado pela nova gestão, a petroleira vai definir metas para diversos setores e níveis hierárquicos, e fará acompanhamento trimestral dos resultados. Após as reavaliações, a empresa poderá rever a definição orçamentária para o ano seguinte. A diretriz é inspirada no sistema de gestão adotado pela Ambev desde a década de 1990.

O último plano, apresentado na gestão de Dilma Rousseff, previa alcançar a marca de 2,8 milhões de barris de óleo equivalente em campos nacionais em 2020. O mercado espera que esse dado seja revisto, para refletir a queda dos investimentos e a venda de ativos da estatal, sobretudo os campos em fase de exploração e produção no offshore. O último plano previa a cotação de óleo brent no patamar médio de US$ 70 até 2019; ontem, o barril valia US$ 45,95.

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