Agência Petrobrás
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Petrobrás fecha acordo de US$ 2,2 bi com a Total

Dinheiro será pago pela empresa francesa por fatias em áreas exploradas pela estatal

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2016 | 19h54

RIO - A Petrobrás deu um novo passo para atingir sua meta de vendas de ativos para o ano ao anunciar a ampliação de sua parceria com a francesa Total. A companhia fechou acordo de US$ 2,2 bilhões com a Total, que inclui a venda de fatias de campos do pré-sal. Com o negócio, a petroleira chega a US$ 13 bilhões em ativos vendidos entre o ano passado e 2016, próxima dos US$ 15,1 bilhões previstos até o dia 31.

Dos US$ 2,2 bilhões, US$ 1,6 bilhão entrarão no caixa da companhia em 60 dias, quando o acordo for assinado de fato. Além disso, a Total irá assumir US$ 600 milhões em investimentos que seriam feitos pela Petrobrás nas áreas negociadas. As empresas serão parceiras nos campos de Iara e Lapa, no pré-sal da Bacia de Santos, e em duas usinas térmicas. 

“Dinheiro não tem carimbo. Entrou no caixa, é um dinheiro importante para nós”, disse Pedro Parente, presidente da petroleira, complementando que o acordo vai ajudar a empresa a pagar dívidas. A Petrobrás busca se livrar do título de petroleira mais endividada do mundo. 

Sobre a meta de desinvestimentos, o executivo diz que, caso a meta de US$ 15,1 bilhões até o dia 31 não seja alcançada, a meta de desinvestimentos para 2017 será elevada. 

O acordo envolve a cessão de 22,5% dos direitos na área de concessão de Iara, que inclui os campos de Sururu, Berbigão e Oeste de Atapu. A Petrobrás continuará como operadora e também deterá a maior participação na área, de 42,5%. No campo de Lapa, haverá cessão de direitos de 35%, com a transferência da operação para a Total. A Petrobrás ficará com 10% de participação nesta concessão.

Apesar do plano estratégico da estatal prever investimentos exclusivamente no Brasil, “oportunidades serão avaliadas” no mercado internacional, segundo Parente. A diretora de exploração e produção da Petrobrás, Solange Guedes, adiantou que a intenção é estudar negócios na África, Golfo do México e Uruguai. Ao todo, Petrobrás e Total já são parceiras em 19 consórcios de exploração e produção no Brasil e no exterior, entre eles projetos importantes como a área de Libra, no pré-sal da Bacia Santos.

 

Na África, as empresas estudarão áreas na Nigéria, Gabão, República do Congo e Angola. No Brasil, avaliam oportunidades nas bacias do Foz do Amazonas, Pelotas e Espírito Santo, além dos blocos de pré-sal, onde a petroleira francesa adquiriu participações da Petrobrás. 

O negócio prevê ainda a opção da Petrobrás participar de 20% da área de Perdido Foldbelt, no Golfo do México, recém adquirida pela Total. Esse negócio não envolveria desembolso por parte da Petrobrás.

O acordo, apesar de fazer parte da meta de desinvestimentos, não está inserido na limitação imposta pelo Tribunal de Contas da União (TCU). No início do mês, o TCU aprovou medida cautelar que proíbe a Petrobrás de assinar novos contratos de venda de ativos. Mas liberou a empresa a continuar as negociações já em curso. O tribunal questiona o sistema de venda de ativos adotado pela estatal. 

Cortes. A limitação do TCU, segundo Parente, diz respeito a desinvestimento. Neste caso, a venda de ativos é uma parceria, cujo foco é estratégico. O executivo informou ter procurado a equipe técnica do Tribunal para esclarecer as condições do acordo com a Total. 

“Existe clara diferença entre parceria estratégica e desinvestimento”, disse. Ele argumenta que, em um desinvestimento, a Petrobrás deixa o negócio, enquanto, neste caso, a ideia é atuar conjuntamente, e, se houver oportunidades, ampliar a parceria em novos negócios.

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